Latuff: “Se fazem isso com um cartaz, imaginem com gente de pele negra… O deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) violou uma obra do cartunista Carlos Latuff, que continha dados sobre a violência contra negros e negras

O deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) arrancou um quadro de uma exposição na Câmara dos Deputados que denunciava o genocídio da população negra no Brasil. A obra violada trazia dados sobre a violência do Estado contra negros e negras e tinha uma charge do cartunista Carlos Latuff. A ação foi denunciada no Twitter da deputada federal pelo PSOL do Rio de Janeiro, Talíria Petrone. O ato acontece um dia antes da data em que se celebra o Dia Nacional da Consciência Negra.

Talíria Petrone

@taliriapetrone

Momento em que o deputado Coronel Tadeu destrói o quadro! Não passarão!

Vídeo incorporado

O cartunista também criticou a atitude do parlamentar em suas redes sociais: “Se fazem isso contra um cartaz, imagine contra gente de carne, osso e pele negra!”, escreveu.

Carlos Latuff

@LatuffCartoons

 

que denuncia a violência policial, nos leva a seguinte reflexão. Se fazem isso contra um cartaz, imagine contra gente de carne, osso e pele negra! https://twitter.com/GeorgMarques/status/1196879737139929089 

George Marques

@GeorgMarques

Atenção: o deputado @CoronelTadeu destruiu há pouco a charge do @LatuffCartoons que estava exposta na Câmara e simbolizava um PM atirando em um jovem negro. Deputados estão neste momento protestando e prometem acionar Conselho de Ética para que o parlamentar seja punido

Vídeo incorporado

 
Parlamentares da oposição reagiram afirmando que a atitude do deputado viola o decoro parlamentar e ainda afirmaram que vão acionar o Conselho de Ética para que o deputado seja punido. A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ) afirmou que a ação reforça a necropolítica, o ethos fascismo e o racismo institucional.

Jandira Feghali

@jandira_feghali

O deputado Coronel Tadeu ter quebrado a charge de @LatuffCartoons, uma crítica ao genocídio negro nas periferias, é o reforço da necropolítica, do ethos fascismo, do racismo institucional. E isso numa exposição DA CÂMARA. Um trabalho institucional. Antidemocrático, inaceitável!

Fonte: Carta Capital 

 
 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

 

 
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