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Liberdade para meu amigo Lula… sofro muito com a injustiça de sua infame prisão

Liberdade para meu amigo Lula… sofro muito com a injustiça de sua infame prisão

João Bosco Pacheco

Uberlândia-MG, 28 de março de 2019

Querido Presidente Lula

Falei muito, desde 2016, que você deveria procurar asilo político em uma embaixada, tipo China ou Rússia, países que não correm risco de mudança de regime pelos EUA.

Na minha visão, lá poderia “despachar”, nos liderar. Mesmo que esses abutres decretassem sua prisão, estaria asilado politicamente.

Na minha simples interpretação, isso iria dar uma forte repercussão mundial. Você poderia apresentar provas contra a infâmia que lhe é imposta pelo STF e toda hierarquia corrupta do judiciário, MP, policiais e mídia golpista.

De lá você poderia falar.

Na Guantánamo de Curitiba ou qualquer outra prisão, ficaria amordaçado, como Dirceu ficou.

Pedi para não ter medo por sua família, que certamente certaria molestada. Tal como na justiça das civilizações antigas e da Idade Média, quando pegavam um membro da família para obrigar o caçado a aparecer, isso seria temporário.

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Você é um homem público, patriota. O Brasil é mais importante, você é enviado de luz.

Mas você preferiu essa estratégia. Eu respeito, porém sofro muito com sua injustiça e infame prisão.

Liberdade em breve para meu amigo e sempre presidente.

 

joão Bosco Pacheco

Funcionário de Universidade Pública Aposentado – UFU –

Fonte: As cartas que Lula não recebeu, p. 190, Coletânea organizada por Cleusa Slaviero e Fernando Tolentino

 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

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