Alessandra Korap, líder mundurucu, ganha prêmio Robert F. Kennedy de direitos humanos

Alessandra Korap, líder mundurucu, ganha prêmio Robert F. Kennedy de direitos humanos

Premiação foi reconhecimento à luta de Alessandra Korap contra as propostas do governo de legalizar mineração em terras indígenas

247 – A líder indígena mundurucu Alessandra Korap é a vencedora do prêmio Robert F. Kennedy de Direitos Humanos (EUA) deste ano, pelos seus esforços na luta em defesa dos direitos indígenas, e contra as propostas do governo Jair Bolsonaro de legalizar mineração em terras indígenas.

Korap disse que o prêmio ajudará a fortalecer o território mundurucu. “A Funai e o próprio presidente [Jair Bolsonaro] negam nosso direito à terra. Os caciques ficaram muito felizes com o prêmio, apesar de tudo o que está acontecendo, das ameaças. É um prêmio coletivo em defesa do território”, disse à Folha de S. Paulo.

Korap receberá US$ 30 mil (R$ 166 mil) pelo prêmio e disse que o dinheiro será usado para fortalecer a luta dos mundurucus. A cerimônia virtual, em 22 de outubro, contará com a participação de John Kerry, ex-secretário de Estado dos EUA e candidato derrotado à Presidência do Partido Democrata.

O prêmio leva o nome do irmão do presidente democrata John Kennedy, morto em 1963. Procurador-geral e senador por Nova York, Robert também foi assassinado, em 1968.

Fonte: Brasil 247

 

 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

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