Recado

Por: Ana Elisa Ribeiro 

astuta a morte,

que prega peças;

quantas vezes ouviste,

quando foste criança,

menina, não mexas no vespeiro!

 

mas a todas as meninas pretas

dizem as mesmas tolices;

e a todas as meninas, afinal.

até o dia em que,

incomodados com tanta ousadia,

executam-nas a céu aberto,

devolvendo-as ao silêncio.

 

tua voz, no entanto, semeia

e o silêncio jamais será o mesmo,

cravejado de mil gritos.

 

Ana Elisa Ribeiro
Poeta mineira. Professora universitária.
Publicou, dentre outros livros, Xadrez,
Anzol de pescar infernos (2013),
Fresta por onde olhar (2008). O poema
homenageia Marielle Franco, vereadora e militante negra, assassinada
no Rio de Janeiro em março de 2018. Até hoje, não se tem resposta nem
punição para quem matou Marielle e Anderson Gomes, seu motorista.

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