Rejane Araujo vai desfiando suas memórias poéticas e nos brinda com o poema Rosário de minha mãe:

Minha mãe apreensiva
lê a sina.
As cartas desvelam
desdizem o fado.

Minha mãe olha pela fresta
vê as tranças do tempo
cabeleiras vermelhas
fios entrelaçados.

Vê as antepassadas
vestidas de negro
os peitos
fartos de leite
exortam à vida.

Minha mãe canta
cantigas de sortilégios
de encantar palavras.

A bem dizer:
– Vida que rebenta o grão
traz memória da raiz!

No seu rosário de contas
apodera-se do destino
conta um rio
canta a vida
flores miúdas
sempre-vivas!

Rejane Araújo, Arte-Educadora e Arte terapeuta Junguiana, paraibana de Lagoa de Cozinha, descobriu no cerrado uma beleza rústica e apaixonante. Escreve como forma de falar da multiplicidade da vida, de expressar as vozes que habitam o mais profundo do seu ser e de possibilidades e impossibilidades. É parceira da ALANEG/RIDE – Academia de Letras e Artes do Nordeste Goiano e da Região Integrada de Desenvolvimento do Entorno de Brasília-DF.

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