Lucélia Santos: “um ser violento que está destruindo o país”

Lucélia Santos: “um ser violento que está destruindo o país”

Lucélia Santos: “Bolsonaro é um ser violento que está destruindo o país”

Comemorando 50 anos de carreira e se lançando candidata a deputada federal pelo PSB, atriz condenou o discurso de ódio do atual presidente…

Por Nêggo Tom/via Brasil 247

Completando dois anos no ar pela TV 247, o programa “Um Tom de resistência” traz uma entrevista especial com a atriz Lucélia Santos, uma das grandes representantes da arte e da cultura brasileira. No ano em que celebra 50 anos de carreira dedicados ao teatro, cinema e televisão, ela também irá concorrer a uma vaga no congresso nacional pelo Partido Socialista Brasileiro.

Ativista das causas indígenas e ambientais, a inesquecível protagonista de “A escrava Isaura”, um dos folhetins de maior sucesso na história da televisão brasileira, falou sobre arte, cultura, política e sociedade, e reiterou o seu apoio à candidatura de Lula para presidente da república, como a única capaz de reconstruir o país após 4 anos de retrocesso civilizatório sob o governo de Jair Bolsonaro.

Início da carreira e o sucesso em “Escrava Isaura”

Tendo estreado no teatro aos 14 anos de idade, Lucélia diz que nunca pensou em ser outra coisa que não fosse atriz. “Eu nunca imaginei o que fosse não ser atriz. Aos 9 anos de idade eu já tinha sido picada pelo bichinho da paixão pelo teatro, e aos 14 anos eu vi que era ali que eu queria estar, ficar e fazer todo o meu trabalho. E durante toda a minha vida foi assim. A profissão de atriz é tão internalizada em mim, que eu não saberia viver de outra forma”.

Em 1976, Lucélia estreava na televisão como protagonista de uma novela que ficaria na história da teledramaturgia brasileira. No papel de Isaura, uma escrava branca que despertava uma paixão avassaladora no seu senhor, a atriz conta que teve um grande aprendizado interpretando a personagem. “Eu tinha apenas 19 anos de idade e foi a minha estreia na televisão brasileira. Foi o meu primeiro grande trabalho e já como protagonista.

A estreia da novela foi um impacto para o Brasil, para o horário que a novela era exibida e para mim, naturalmente, que era uma atriz vinda do teatro e ainda não tinha tido qualquer contato com a popularidade, com o fato de ser famosa, de ser conhecida e ser reconhecida nas ruas.

A escrava Isaura veio para minha vida como um divisor de águas definitivo. Eu era uma pessoa até “A escrava Isaura”, e, a partir da novela, tudo enveredou por um outro caminho.

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Apesar de ser muito nova, eu acho que eu tive uma estrutura, uma cabeça muito boa para lidar com o sucesso e com as mudanças socioeconômicas e culturais que essa personagem trouxe para mim e para todos ao meu redor”. Transmitida em mais de 100 países, “Escrava Isaura” ganhou repercussão internacional.

Durante a guerra da Bósnia (1992 a 1995), havia um acordo de cessar fogo entre os países envolvidos no confronto no horário em que a novela era exibida.

Em 1984, o folhetim interrompia o racionamento de energia em Cuba, para que os telespectadores pudessem assistir à trama. “É o meu bom carma”, brinca.

Conversão ao budismo

A exibição de “Escrava Isaura” na China rendeu à atriz parcerias de trabalho naquele país e fez com que Lucélia se aproximasse da cultura oriental.

Sua relação com o budismo surge durante a produção de alguns documentários no Tibete, onde conheceu Dalai Lama e se converteu à religião filosófica. “Eu sou budista tibetana, da linha do Dalai Lama. Eu conheci um grande Lama quando voltei do Tibete há muitos anos atrás, e me aproximei dele porque nesse meu trabalho em parceria com as televisões chinesas, eu rodei um documentário sobre budismo no Tibete.

E quando eu cheguei ao Brasil, eu quis procurar essa Lama que vivia no Rio Grande do Sul num templo que está lá até hoje, e é onde tem a minha sanga (comunidade), que se chama Khadro Ling, fundada pelo Chagdud Tulku Rinpoche, que era o nome desse grande Lama Tibetano que eu conheci.

Ele vivia lá no Khadro Ling e a obra desse templo, que fica próximo de Gramado, numa cidade chamada Três Coroas, estava começando na época.

Eu o entrevistei para o meu filme, porque queria que ele fosse o âncora a contar a história do budismo no documentário. A partir daí eu virei sua aluna e comecei a segui-lo, mesmo sem ainda praticar a religião. Depois de um tempo eu me tornei praticante e sou budista há três décadas”.

Ingresso na política e críticas ao governo de Jair Bolsonaro

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Antes avessa ao ambiente político, apesar de sempre ter sido uma artista engajada em lutas e causas sociais, Lucélia Santos diz que sua candidatura a deputada federal foi motivada pelo atual momento político que o país enfrenta sob o governo de Jair Bolsonaro. “O Brasil e a situação gravíssima em que nós nos encontramos, me fizeram mudar de ideia com relação a entrar na política. Eu acho que essa próxima eleição não é apenas uma eleição.

É uma eleição histórica depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff, depois do aprisionamento injusto e com uma narrativa criada para demonizar e destruir a pessoa do presidente Lula, depois de um golpe contra as liberdades democráticas brasileiras.

Tudo isso acabou culminando com a eleição em 2018, de um ser violento que está destruindo o país, que causou e está causando muito mal ao Brasil. Acabamos de perder um companheiro do PT assassinado em Foz do Iguaçu, só porque ele comemorava o seu aniversário com o tema do Lula.

Esse nível de agressão e violência política jamais existiria antes de Bolsonaro. Isso é consequência de uma narrativa construída sobre violência. Desde a campanha de 2018 que Bolsonaro prega descarada e abertamente a violência.

Tudo o que está acontecendo não é por acaso. Tudo isso foi plantado, semeado, provocado, cultivado e regado. E agora está florescendo essa escalada destruição e morte. Sem falar na gestão da pandemia, sobre não testar, depois sobre não querer isolar as pessoas, depois sobre não vacinar a população, o que levou a quase 700 mil mortos no país.

Nesse momento, a gente precisa virar essa página da história para voltarmos a sonhar com a primavera, com um país com flores, com afeto, sem armas, pois é fundamental que se crie uma forte campanha de desarmamento.

Ou seja, vamos ter que trilhar a contramão do que esse sujeito vem construindo. Um caminho oposto, um caminho de amor, de diálogo e de democracia. Vamos ter que reconstruir a nossa democracia, curando-a e fortalecendo-a.

Porque agora ela está doente”. Lembrando a fome e a miséria que assolam o país nesse momento, Lucélia considera que, “se por um desses acasos trágicos ocorra a reeleição de Bolsonaro, o Brasil não aguenta. Já são 33 milhões de pessoas famintas e 120 milhões em estado de insegurança alimentar. Então, é agora ou nunca”.

Apoio a Lula

Dentre as diversas personalidades que prestaram solidariedade ao ex-presidente Lula quando ele esteve preso politicamente em Curitiba,

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Lucélia Santos foi uma das artistas presentes na vigília “Lula Livre” em 1º de maio de 2018. Ela revela que o seu apoio e admiração pelo petista vem de longe, desde os tempos em que ele ainda era líder sindical em São Bernardo do Campo. “Eu sempre tive um elo afetivo com o Lula e com o 1º de maio, e, naquele dia, eu fiquei com uma dor sobre o Brasil ao ver que o ato estava esvaziado.

Naquele momento, eu senti uma coisa muito ruim que veio a culminar com a eleição de Bolsonaro. Mas o Lula deu uma volta nessa história, que é uma das coisas mais impressionantes que eu vi em toda a minha vida. Ele conseguiu provar a sua inocência e voltou para os braços do povo. E eu tenho muita esperança e muita fé, que ele vai se eleger já no primeiro turno.

O Brasil precisa que ele vença já no primeiro turno, inclusive, para ele ter tempo de trabalhar, construir os ministérios e as estruturas políticas necessárias para começar a arrumar a casa e colocar esse país no eixo outra vez. Lutar contra o desemprego, tirar as pessoas dessa baixa estima que elas estão submetidas por esse atual governo.

Eu adoro o Lula e tenho uma ligação afetiva tremenda com ele desde a minha infância, porque o sindicato dos metalúrgicos era na frente da casa do meu pai. Eu o acompanho há muito tempo, desde os tempos sem princípios, talvez, desde antes da política.

Eu desejo ao Lula vitória e muita saúde e desejo que outras pessoas, assim como eu, que tenham o compromisso com a democracia, possamos estar o mais próximo possível dele para ajudá-lo a fazer esse trabalho tão necessário”.

 
 
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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

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