Toda história é também memória, que ressurge em forma escrita, aqui, trazida pela Lucia Resende, que de forma amorosa e bem humorada relembra e reconta a sua lembrança-história-memória da folclórica tradição de Santos Reis e a sua experiência pessoal com a data.
Por Lúcia Resende
Vó Maria era devota dos Santos Reis. Todo ano ela erguia o estandarte para a chegada da folia.
Naquele tempo, era comum crianças serem “dadas” para eles. Vestidos a caráter, três homens passavam pelas fazendas, seguidos da folia…
Pois bem, me deram para os santos… aquilo ficou sendo falado por dias, meses, acho. Outras crianças da redondeza também foram doadas. No dia 6 de janeiro, como de costume, foram para a grande festa lá no nosso sítio com as famílias.
Quando chegaram com muita cantoria, os santos começaram a pegar as crianças e jogar para o alto, como parte do ritual. Foi a conta. Amedrontada, saí correndo em meio à folia, apavorada, querendo escapar. Parei uns 500 metros adiante, lá na beira do Rio Grande!
Foi por causa disso que deram a minha irmã Maria Martha, em substituição, e ela é a filha de Santos Reis!
Mais um causo das Marias: Lúcia Resende, a nossa Maria Lúcia, é professora,  funcionária pública aposentada, mora em Formosa, Goiás e é revisora voluntária dos textos da Revista Xapuri. Maria Feliciana de Jesus, a vó Maria, era alegre, rezadeira e festeira de Santos Reis. O causo se deu na Fazenda Aldeia dos Índios, no município de São Francisco de Sales, Minas Gerais, provavelmente em meados da década de 1960.

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