A Grande Transformação da Consciência opera uma complicada travessia, necessária para fundar um novo paradigma, capaz de transformar a eventual tragédia ecológico-social numa crise de passagem que nos permitirá um salto de qualidade rumo a um patamar mais alto de relação amistosa, harmoniosa e cooperativa entre Terra e Humanidade.

Importa fazer as seguintes grandes travessias, a maioria delas em curso:

  • Do paradigma Império, vigente há séculos, para o paradigma Comunidade da Terra.
  • De uma sociedade industrializada, que depreda os bens naturais e tensiona as relações sociais, para uma sociedade de sustentação de toda a vida.
  • Da Terra tida como meio de produção para a Terra como um ente vivo, chamado Gaia, Pacha Mama ou Mãe Terra.
  • Da era tecnozoica, que devastou grande parte da biosfera, para a era ecozoica, pela qual todos os saberes e atividades se fazem interdependentes para salvaguardar a vida no Planeta.
  • Da lógica da competição, que se rege pelo ganha-perde e que opõe as pessoas, para a lógica da cooperação do ganha-ganha, que congrega e fortalece a solidariedade entre todos.
  • Do capital material, sempre limitado e exaurível, para o capital espiritual e humano, ilimitado, feito de amor, solidariedade, respeito, compaixão e de uma confraternização como todos os seres da comunidade da vida.
  • De uma sociedade antropocêntrica, separada da natureza, para uma sociedade biocentrada, que se sente parte da natureza e busca ajustar seu comportamento à lógica do processo cosmogênico, que se caracteriza pela sinergia, pela interdependência de todos com todas e pela cooperação universal.

Se é perigosa a Grande Transformação da sociedade de mercado, mais promissora ainda é a Grande Transformação da consciência. Triunfa aquele conjunto de visões, valores e princípios que mais congregam pessoas e melhor desenham um futuro de esperança para todos.

Essa seguramente é a Grande Transformação da Consciência. Ela irá crescer, consolidar-se, ganhar mais e mais espaços de consciência e de práticas alternativas até assumir a hegemonia da nossa História.

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Leonardo Boff

Filósofo, Teólogo, Escritor

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