Essa semana foi furtada uma jiboia arco-íris, (Rainbow boa) do laboratório do Museu da Amazônia (MUSA), localizado em 100 hectares da Reserva Florestal Adolpho Ducke, em Manaus, capital do estado brasileiro do Amazonas. Levaram também uma jiboia comum.

O MUSA suspeita que o furto esteja ligado ao tráfico de animais. A belíssima jiboia arco-íris, também conhecida como Salamanta ou Jiboia vermelha,  tem esse nome por refletir as cores do arco-íris quando exposta a uma iluminação mais intensa, particularmente quando exposta ao sol.

Por ser classificada como serpente não peçonhenta, de dentição áglifa, que é a dentição que não apresenta presas inoculadoras de veneno, da família Boidae – a mesma das demais jiboias e da sucuri, esse animal da espécie  Epicatres cenchria, embora um pouco mais agressivo, é muito apreciado e alcança altos valores no mercado como animal doméstico (pet).  

O MUSA deu pela falta das serpentes durante das visitas monitoradas realizadas de hora em hora ao laboratório do Museu durante todo o dia. Segundo Roberto Moraes, diretor operacional do MUSA, o furto deve ter ocorrido no início da tarde, no intervalo das visitas matutinas para as do turno da tarde.

Moraes informa que, para retirar os animais da sala onde ficam trancadas e onde visitantes só entram acompanhados e monitorados por membros da equipe do Museu, foi arrombada uma janela de vidro, com a retirada dos blocos de madeira que a fechavam.

De acordo com Moraes, outros furtos já ocorreram no MUSA, mas sempre de bens materiais, nunca de animais do acervo. O diretor acredita que os ladrões já conheciam o local.  “Como as jiboias não são peçonhentas, eles tiveram facilidade. Eles não mexeram nas peçonhentas, somente com as jiboias” que, segundo Moraes, pertencem à Fundação de Medicina Tropical, e são utilizadas para a educação ambiental de alunos das escolas públicas, e do público em geral.

Jaula que abrigava animal (Foto: Ísis Capistrano/ G1 AM)Viveiro arrombado de onde a jiboia foi furtado.  Foto: Ísis Capistrano/G1 AM

ANOTE AÍ:

Até 2008, o Brasil só conhecia uma espécie da Epicrates cenchria.  Foi nesse ano que os pesquisadores Paulo Passos e Ronaldo Fernandes publicaram um artigo científico onde revisaram toda a espécie e reorganizaram as nove subespécies em cinco espécies.

Segundo essa nova classificação, das cinco espécies, quatro ocorrem no Brasil: Jiboia arco-íris da Amazônia (Epicrates cenchria), jiboia arco-íris da Caatinga (Epicrates assisi), jiboia arco-iris do Cerrado (Epicates crassus) e jiboia arco-íris do norte (Epicrates maurus). 

Podendo alcançar até 2, 2 metros, a Epicrates cenchria é a maior das jiboias arco-íris.  Ela alimenta-se de pequenos animais, incluindo aves, mamíferos e anfíbios. Nos criatórios de cativeiro, por uma questão de praticidade e controle sanitário, em geral é alimentada com pequenos roedores.

As jiboias arco-íris são serpentes vivíparas  que, em geral, tem de 15 a 25 filhotes, mas podem chegar até 35. Seus hábitos de vida incluem uma  existência semi-arborícola, com maior atividade no período noturno. Essas lindas serpentes vivem entre 25 e 30 aos.

Jiboia vermelha. Foto: www.megacurioso.com.br

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Eduardo Pereira

Produtor Cultural

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