O Padre Cícero Romão Batista, um dos ícones religiosos do povo nordestino e brasileiro, teve, ainda no início do século XX, uma sensível percepção ecológica.  Elaborou preceitos que ensinava aos sertanejos (Veja o livro Pensamento vivo do Padre Cícero. Rio de Janeiro: Ediouro, 1988):

  • Não derrube o mato, nem mesmo um só pé de pau;
  • Não toque fogo nem no roçado nem na Caatinga;
  • Não cace mais e deixe os bichos viverem;
  • Não crie o boi nem o bode soltos: faça cercados e deixe o pasto descansar para refazer;
  • Não plante em serra acima nem faça roçado em ladeira muito em pé; deixe o mato protegendo a terra para que a água não a arraste e não se perca sua riqueza;
  • Faça uma cisterna no oitão da sua casa para guardar a água da chuva;
  • Represe os riachos de cem em cem metros, ainda que seja com pedra solta;
  • Plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá, ou outra árvore qualquer, até que o sertão seja uma mata só;
  • Aprenda a tirar proveito das plantas da Caatinga, como a maniçoba, a favela e a jurema; elas podem ajudar a conviver com a seca;
  • Se o sertanejo obedecer a estes preceitos, a seca vai aos poucos se acabando, o gado melhorando, e o povo terá sempre o que comer;
  • Mas, se não obedecer, dentro de pouco tempo o sertão vai virar um deserto só.

Todas estas dicas teóricas (mente) e práticas (mãos) podem nos conferir a esperança de que é possível alcançar a sustentabilidade da vida, da humanidade e da Terra. As atuais dores não são de morte, mas de parto, de um novo nascimento.  A Terra e a humanidade vão continuar e vão ainda irradiar, pois para isso existimos dentro do processo da evolução em aberto.

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Leonardo Boff

Filósofo, Teólogo, Escritor

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