As plantas contêm princípios essenciais – umas em maior quantidade, outras em menos; umas exalam fragrâncias inebriantes, outras, olores mais suaves, e de muitas emanam aromas insípidos ou mesmo fétidos.

Quando a flor está prestes a se abrir, algumas de suas células passam por profundas alterações que dão origem a substâncias voláteis. Esses óleos essenciais e voláteis se acham contidos em pequenos veios interiores da planta. Parte dessas substâncias se evapora e a flor, então, desprende odor: o perfume.

Os veios oleosos encontram-se concentrados em determinadas partes do vegetal. Numas, aparecem na raiz – como no vetiver – ou nos rizomas – como no íris. Noutras, são as folhas seus maiores depositários – como no caso do patchouli e do gerânio (Pelagornium graveolens e Pelagornium odoratissimum). Madeiras como o sândalo, o cedro e os bálsamos de Tolu e do Peru são igualmente férteis em essências.

Contudo, são as flores, em grande número, as mais ricas fontes de óleos essenciais, transformados por conhecedores em extratos e perfumes de efeitos mágicos nas artes da beleza.

Cultivadas não somente como ornamentos, tendo muitas outras aplicações, as flores, caprichosas criaturas, são sensíveis aos lugares onde crescem e aos momentos do dia.

Assim é que, nos Alpes, a fragrância da violeta é mais doce e, na Itália, sobretudo em Parma, a violeta agrega óleos essenciais mais fortes e embriagadores. Inigualáveis são as rosas da Síria e suas irmãs da Bulgária. Não há lavanda tão docemente penetrante quanto a inglesa, nem jasmim tão perfumado quanto o da Espanha. Na região do Grasse, na Provença francesa, dão-se esplendidamente as flores de cheiro mais variadas

Há flores que escolhem a noite para exalar seus perfumes. Assim são a dama-da-noite e o gerânio triste. Só de dia, desprendem seus aromas, por exemplo, os cestros diurnos e algumas ninfeias, recusando-se à noite suas dádivas. Muitas, por sorte, perfumam o ar noite e dia.

Conhecendo-se bem e podendo expandir as horas mais propícias à expansão de seus corpos odoríferos, é possível delas extrair as essências mais abundantes e preciosas. Dessa arte ocuparam-se quase todos os povos desde os começos das civilizações.

Os óleos essenciais não apenas prestaram e prestam à vaidade dos humanos por suas qualidades aromáticas e por seus efeitos tônicos, adstringentes e amaciadores da pele, e restauradores dos cabelos, como também foram muito procurados para ritos sacros – no sentido de agradar aos deuses – e para as práticas mortuárias cultivadas por diferentes povos.

ANOTE AÍ:

Este bonito texto é de Henda e consiste em um excerto do livro “Segredos de Tias e Flores,” Editora Relume&Dumará, 1994.

 

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