Pequena viagem ao centro da Terra: Vulcanismo

A grande maioria dos magmas se resfria e cristaliza, formando as rochas plutônicas, mas alguns chegam até a superfície na forma de fluxos de lavas ou materiais piroclásticos, e a este fenômeno dá-se o nome de vulcanismo.

Os vulcões em erupção são na realidade manifestações dos processos da dinâmica interna do planeta Terra. Durante o período histórico, cerca de 550 erupções vulcânicas foram registradas. Isto significa que, embora alguns vulcões há muito não se manifestem, podem ser considerados ativos.

Em qualquer momento do tempo atual no mínimo 12 vulcões estão em erupção em algum lugar da Terra. Além dos vulcões considerados ativos, existem numerosos vulcões adormecidos. Ou seja, vulcões que não entraram em erupção recentemente, mas onde, a qualquer momento, este fenômeno pode vir a acontecer.

Alguns exemplos clássicos são Vesúvio, na Itália, que não mostrou sinal de atividade, na memória humana, até o ano de 79 Depois de Cristo, quando entrou em erupção, trazendo consequências desastrosas para os seres humanos, causando a destruição de cidades como Herculano, Pompéia e Estábias. E o vulcão do Monte Pinatubo, nas Filipinas, que permaneceu adormecido por cerca de 600 anos, mas em 1991 entrou em erupção, produzindo a maior explosão vulcânica dos últimos 50 anos.

Alguns vulcões são considerados como inativos, ou quem sabe extintos, pois não entram em erupção há muito tempo. Como é o caso do vulcão de Iporá, em Goiás.

Quanto à gênese, pode-se considerar a existência de dois grupos básicos de vulcões. O primeiro tipo está relacionado à influência das superplumas, fenômeno que ocorre no manto da terra. O segundo grupo resulta do mecanismo de subducção de placa, que consiste no mergulho de uma placa tectônica sobre outra placa, fato que provoca terremotos e vulcões. Dois fenômenos intimamente associados.

Os vulcões podem se apresentar de diferentes formas. De modo geral, a forma é a de uma montanha cônica formada ao redor de uma abertura, por onde são expelidos lavas e materiais piroclásticos, mas há vulcões que se apresentam com várias aberturas laterais.

A maior parte deles possui uma depressão circular no seu cume, conhecida como cratera. Outros, entretanto, se nos apresentam na forma de caldeira, que atinge proporções quilométricas. Outros ainda possuem em suas depressões lagos, também conhecidos como lagos de crateras, que podem guardar entre os seus conteúdos gases devastadores. Em 1986, em Camarões, na África, 1.746 pessoas e milhares de animais morreram quando uma nuvem de dióxido de carbono as tragou. O gás estava acumulado nas águas do lago Nyos, que ocupa uma cratera vulcânica.

A maior parte dos gases liberados pelos vulcões se dissipa rapidamente na atmosfera. Os gases vulcânicos são compostos em sua maior parte por vapores de água. Mas em menor quantidade ocorrem dióxido de carbono, nitrogênio, dióxido de enxofre e gás sulfídrico, monóxido de carbono, hidrogênio e cloro.

Dependendo do tipo de magma, que pode ser félsico ou máfico, os gases podem expandir ou escapar de forma mais fácil ou não para a atmosfera. Em 1783, na Islândia, gases tóxicos lançados por erupções de fissura tiveram efeitos de catástrofes. Cerca de 75% do gado morreu, e a névoa resultante do gás provocou baixas temperaturas e quebra na safra, causando a morte de 24% da população.

Morte de árvores em grande extensão são resultantes de gases expelidos por vulcões que alteram o processo de fotossíntese e provocam a redução de oxigênio no solo. Mudanças climáticas, localizadas ou não, são também consequências de atividade vulcânicas.

Os Domos Vulcânicos e o Caso de Martinica

Os denominados “domos de lava” são configurações que se formam junto aos vulcões, em função da pressão ascendente ser muito forte, tendo em vista a grande viscosidade da lava, classificada como félsica.  Quando rompidos esses domos são altamente destrutivos e têm ocorrido em várias partes. Um exemplo da capacidade destrutiva desses domos é narrada por WICANDER E MONROE (em sua obra Fundamentos da Geologia).

Em 1902, o magma viscoso se acumulou sob o cume do monte Pelée, na ilha da Martinica. A Pressão interna da montanha cresceu a ponto de não poder mais ser contida, e o lado da montanha rompeu em uma tremenda explosão. Quando isso ocorreu, uma nuvem de materiais piroclásticos e gases móveis e densos, chamada nuée ardente (nuvem incandescente, em francês) foi expelida e correu montanha abaixo a uma velocidade de 100 km/hora, engolfando a cidade de St. Pierre.

Uma tremenda ventania atingiu St. Pierre e arrasou prédios, atirou matacões, arrancou árvores, jogou entulho nas ruas e deslocou em 16 m uma estátua de 3 toneladas. A ventania foi seguida de rodopios de uma nuvem de cinzas incandescentes e gases com uma temperatura interna de 700 oC, que incinerou tudo em sua passagem.

A nuvem ardente passou por St. Pierre em dois ou três minutos, mas foi seguida por uma tempestade de fogo enquanto os materiais combustíveis queimavam e barris de rum explodiam. Mas, àquela altura, a maioria dos 28 mil residentes da cidade já estava morta. De fato, na área coberta pela nuvem ardente, somente duas pessoas na própria cidade haviam sobrevivido.

Um sobrevivente estava do lado de fora da nuvem ardente, mas, mesmo assim, ficou terrivelmente queimado e sua família e seus vizinhos foram todos mortos. O outro sobrevivente um estivador, preso na noite anterior por conduta desordeira, estava em uma cela sem janelas, parcialmente abaixo do nível do solo. Ele permaneceu em sua cela, queimado, por quatro dias após a erupção, até que os trabalhadores do resgate ouviram seus gritos pedindo ajuda.

About The Author

Altair Sales Barbosa

Professor, Pesquisador do CNPq, Doutor em Antropologia e Arqueologia pela Smithsonian de Washington DC

Related Posts

Deixe uma resposta