Sustentabilidade e Educação: Reflexões para o Bem-Viver

A sustentabilidade não acontece mecanicamente. Ela é fruto de um processo de educação pela qual o ser humano redefine o feixe de relações que entretém com o Universo, com a Terra, com a natureza, com a sociedade e consigo mesmo dentro dos critérios assinados de equilíbrio ecológico, de respeito e amor à Terra e à comunidade de vida, de solidariedade para com as gerações futuras e da construção de uma democracia socioecológica.

Estou convencido de que somente o processo generalizado de educação pode criar as novas mentes e os novos corações, como pedia a Carta da Terra, capazes de fazer a revolução paradigmática exigida pelo mundo de risco sob o qual vivemos.

Como   repetia com frequência Paulo Freire: “A educação não muda o mundo, mas muda as pessoas que vão mudar o mundo”. Agora todas as pessoas são urgidas a mudar, pois não temos outra alternativa, ou mudamos ou conheceremos a escuridão.

A razão da necessidade da mudança nos foi dada pela voz de 1.600 cientistas entre os quais 102 agraciados com o Prêmio Nobel, vindos de 70 países, reunidos na Cúpula da Terra, no Rio de Janeiro, em 1992: “Os seres humanos e o mundo natural seguem uma trajetória de colisão.

As atividades humanas desprezam violentamente e, às vezes, de forma irreversível, o meio ambiente e os recursos vitais. Urge mudanças fundamentais se quisermos evitar a colisão a que o atual mundo nos conduz”. (Apelo dos cientistas do mundo à humanidade, 1992). (…)

Uma Educação Ecocentrada

A partir de agora a educação deve impreterivelmente incluir as quatro grandes tendências da ecologia: a ambiental, a social, a mental e a integral profunda (aquela que discute nosso lugar na natureza e nossa inserção na complexa teia das energis cósmicas (veja meu livro As quatro Ecologias, 2010).

Mais e mais se impõe entre os educadores amabinetais esta perspectiva: educar para o bem-viver, que é a arte de em harmonia com a natureza e propor-se a repartir equitativamente com os demais seres humanos os recursos da cultura e do desenvolvimenot sustentável.

Precisamos estar conscientes de que não se tata apenas de introduzir corretivos ao sistema que criou a atual crise ecológica, mas de educar para a sua transformação. Isso implica superar a visão reducionista e mecanicista ainda imperante e assumir a cultura da complexidade. Ela nos permite ver as interrelações de todos com todos e as ecodependências do ser humano (…).

Desse tipo de educação se deriva a dimensão ética do cuidado e da responsabilidade pelo futuro comum da Terra e da humanidade. Faz descobrir o ser humano como o cuidador de nossa CASA COMUM e o guardião de todos os seres.

Queremos que a democracia sem fim, proposta pelo sociólogo português Boaventura de Souza Santos assuma as características socioecológicas, pois só assim é adequada à era Ecozoica e responde às demandas do novo paradigma. Ser humano, Terra e Natureza se pertencem mutuamente, por isso é possível forjar um caminho de convivência não-destrutiva.

ANOTE AÍ:
Para ler mais sobre o assunto: Leonardo Boff, Sustentabilidade – O que é, o que não é. Editora Vozes, 2012)

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