Um Chamado à Cooperação e à Esperança

Vivemos tempos dramáticos e, ao mesmo tempo, esperançadores. Dramáticos porque nossa Casa Comum, a Terra, parece estar ardendo em chamas. Temos que nos organizar para salvá-la. Esperançadores porque mais e mais pessoas estão despertando para suas responsabilidades para com o futuro comum, da vida, da humanidade e da Terra. Este futuro só será garantido se colocarmos a sustentabilidade como um denominador comum de todas as formas de vida e de nossas práticas.

Os tomadores de decisões, particularmente no campo da economia e das finanças, em profunda crise sistêmica, lentamente percebem que as causas principais da crise atual não se encontram na economia, mas na ética que foi desrespeitada pelo excesso de ganância e pela ausência da justa medida, e isso levou à falta de confiança, necessária para a fluidez da vida econômica.

Temos que voltar a fazer o bem, o justo e o certo, e não apenas não fazer o mal. Por isso se justifica a intrigante pergunta: Que tipo de sustentabilidade os países industrializados e ricos podem oferecer para a vida e para a Terra se não conseguem sequer garantir a sustentabilidade daquilo que constitui o mais importante para eles, que são os mercados e o valor das moedas?

Não obstante estes impasses, cremos que, ao agravar-se, dia a dia, o mal-estar cultural e ecológico, vai prevalecer o senso de urgência que porá em marcha a quebra do paradigma de dominação e de conquista atual em favor do paradigma do cuidado e da responsabilidade coletiva, este sim, capaz de devolver vitalidade à Terra e assegurar um futuro melhor para o mundo globalizado.

O nível mais alto de consciência, o espiritual, nos convencerá a amar mais a vida que o capital material, a evitar todo tipo de dano à biosfera e a tirar da Terra somente aquilo que realmente precisamos para viver com sufi ciência e decência. Esse é um dos propósitos básicos da sustentabilidade.

Por natureza somos seres de cooperação e de solidariedade. Em momentos de grande risco e de tragédias coletivas se anulam as diferenças de classe social e todos são convocados para a cooperação e para a solidariedade. Então nos entreajudamos para nos salvar. Esse momento se aproxima, pois a Terra está dando inequívocos sinais de estresse e de limites de suas forças.

Não estamos diante de uma tragédia anunciada, mas no coração de uma crise fundamental que nos vai acrisolar, purificar e permitir dar um salto rumo a uma humanidade sustentável habitando um mundo que juntos podemos fazê-lo existir sustentavelmente.

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Leonardo Boff

Filósofo, Teólogo, Escritor

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