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ROZALIA LUKSENBURG – RÓŻA LUKSEMBURG – ROSA LUXEMBURGO

Por: Iêda Vilas Bôas – 

A vida pública em países com liberdade limitada está sempre tão golpeada pela pobreza, é tão miserável, tão rígida, tão estéril, precisamente porque, ao excluir-se a democracia, fecham-se as fontes vivas de toda riqueza e progresso espirituais.” Rosa Luxemburgo

A rosa vermelha É do bem querer A rosa vermelha e branca Hei de amar até morrer” (…)

Rosa Luxemburgo, a filósofa e economista marxista polaco-alemã mundialmente conhecida por sua militância revolucionária ligada à Socialdemocracia da Polônia e da Alemanha, nasceu no quinto dia do mês de março de 1871, na cidade polonesa de Zamość.

E jovem ainda, aos 48 anos, foi fuzilada, e seu corpo foi jogado num riacho, em 15 de janeiro de 1919, em Berlim – Alemanha, por defender seus ideais. Mas não conseguiram matar seu sonho. O nome de Rosa Luxemburgo é sempre invocado quando se fala em dar voz ao povo. Alguns vão além para decifrar a grandeza trazida por esta mulher, outros a deixam ir, pois como pó de estrela, cintila em diferentes universos.

Ainda há pouco, no primeiro dia deste ano nebuloso, me deparei com Rosa num espaço de resistência e luta em Curitiba- -PR. Imponente, montando firme sentinela no muro caiado de branco, nos lembrando que coragem nunca lhe faltou, lá está ela, puxando a fila da galeria onde figuram Marielle, Guevara, Che, Fidel, Jose Martí, Papa Francisco, entre outros líderes libertários.

Em 1915, por ser contra a forma de participação do seu partido na Primeira Guerra Mundial, tornou-se dissidente do Partido Social-Democrata Alemão e fundou a Liga Espartaquista (Spartakusbund), que era contra a guerra e defendia uma política antimilitarista e revolucionária. Em novembro de 1918, ela fundou o jornal Die Rote Fahne (A Bandeira Vermelha), para dar suporte aos ideais inovadores da Liga, que se aproximava do comunismo libertário.

O papel de destaque de Luxemburgo na revolução foram suas decisivas ações na fase final da Primeira Guerra Mundial. Através da prática política de Rosa e da Liga, a Revolução Alemã de 1918–1919 resultou na abolição da monarquia do Reich Alemão e na instituição de uma república parlamentar. Por esse posicionamento foi morta e tornou-se mártir. Luxemburgo foi contraponto entre o regime socialista e as teorias de Marx e Lênin. Ela foi a voz firme e terna da Revolução alemã.

Luxemburgo era ativista política de intensas atividades, criticava ferrenhamente o próprio levante espartaquista e as escolas Marxista-Leninistas.

Carregava em si uma singular defesa do povo que resumia sua percepção da dimensão humana e sua extrema generosidade, em contrassenso com a formação ideológica de revolucionária intransigente e da prática comunista do momento histórico.

Escreveu extensa obra sobre a economia capitalista e sobre os problemas inerentes à participação do proletariado no sistema político das sociedades burguesas. Rosa contribuiu para a mudança de regime na Alemanha, por intermédio de textos escritos em jornais, brochuras, discursos, cartas e de uma militância original, ativa e criativa. Seus textos transbordavam uma escrita plena de vivacidade, de ironia, de palavras espirituosas. Suas Cartas da Prisão foram um legado repleto de lirismo.

Rosa era uma reflexão em movimento. Luxemburgo pregava a autoemancipação dos oprimidos e a autotransformação da classe revolucionária por sua experiência prática; para que essa enfrentasse as lutas não só pela consciência, mas também pela sua própria vontade. Através de sua contribuição teórica e de sua política polêmica acreditava na preparação do proletariado para a revolução.

Rosa lutava veementemente para que as classes populares impusessem a sua vontade às classes dominantes. E destacava que: “as massas não podem conquistar essa vontade senão na luta quotidiana com a ordem estabelecida”. Ela acreditava que não existe sociedade livre sem indivíduos livres. E que estes indivíduos devem ser conscientes, não manipulados, por qualquer força que seja. Acreditava que a bandeira significativa para o indivíduo deveria ser seu desejo interior de liberdade e de se livrar das amarras da opressão.

Rosa Luxemburgo não era uma “santa comunista”, mas, sim, uma mulher divertida, ousada, irrequieta, à frente de seu tempo, que recusava o aperto do espartilho, que controlava seu corpo e seus hormônios, que contava com a ajuda da ciência para não fi car grávida.

Rosa era contra tudo o que fosse rígido, inflexível, mecânico e burocrático. Foi uma valente mulher que conquistou sua liberdade com muita luta e sacrifício. Para Rosa não bastava que a sociedade patriarcal lhe dissesse que ela era livre, ela mesma conquistava sua liberdade. Essa sua mensagem permanece para as mulheres do século XXI, que ainda lutam pela sua emancipação.

No início do século XX, suas ideias e atitudes eram muito ousadas e por isso ela sofreu inúmeros ataques machistas de seus companheiros de partido. A resposta de Rosa vinha principalmente pelo verbo mordaz e certeiro, escrito ou falado. Sua língua era livre e também livre era o seu espírito.

Seus próprios camaradas chamavam-na de “materialista histérica” ou “cadela venenosa, porém brilhante”. Uma vez foi nomeada redatora chefe de um importante jornal social-democrata e quase sofreu uma rebelião dos colegas jornalistas. Todos eles homens que duvidavam de sua competência, pelo fato dela ser mulher.

Os conservadores alemães apelidaram-na de “porca judia”, um pejorativo machista e deplorável. Na Polônia, sua terra natal, ainda é odiada por alguns; em 2001, quando a prefeitura de Berlim propôs a construção de um monumento em sua homenagem, sua memória sofreu inúmeras críticas na imprensa e ataques de cunho machista.

O viés das acusações se mantinha ao longo do tempo: mulher sem fi lho, sem se casar e metida a se intrometer na política. Stalin, paradoxalmente, tentou extirpar seus feitos e memória. Tentativa vã. Rosa sobrepôs-se ao tempo e à história: é exemplo de inteligência, de mulher independente e da força da palavra dita e escrita!

Iêda Vilas-Boas
Escritora

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One Response

  1. Joe Weiss Brazil

    Rosa é e será sempre uma revolucionária que admiro. Ieda, o artigo é emocionante e me fez a admirar mais ainda.

    Responder

Comentários

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