Por: Zezé Weiss

O milho é alimento sagrado para os Guarani Mbya, povos indígenas de tradição milenar, presentes na região oriental do Paraguai, no nordeste da Argentina, e nas proximidades de Montevidéu, no Uruguai.

No Brasil, os Mbya, cujo nome indígena se traduz simplesmente por “gente”, vivem sobretudo em aldeias situadas nos estados do Sul – Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul – e Sudeste – São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo –, em comunidades junto às regiões montanhosas do que restou da Mata Atlântica.

Dentre os grupos indígenas Guarani, os Mbya são os que ocupam, com continuidade, as principais áreas do litoral Atlântico. Ao realizar suas caminhadas em busca da terra sem mal (yvy marãey), ou da terra perfeita (yvyju miri), essas comunidades vão mantendo e recriando suas tradições em cada “novo lugar”, dentre elas a plantação de suas roças de milho.

Os Guarani Mbya se consideram os guardiões do milho, buscando defender as condições territoriais para plantarem este alimento sagrado. Para tanto, a tekoá (lugar onde os Guarani Mbya vivem seu modo de ser) precisa ter condições de plantio e, além disso, um tamanho considerável.

Segundo a Funai, para os Mbya, alimentar-se com o milho guarani tem poder curativo e fortalecedor do corpo e do espírito. Devido à sacralidade da relação dos Guarani Mbya com os alimentos, existem rituais de preparação para o plantio e a colheita, de modo a vincular os alimentos com seus espíritos protetores, e também para fortalecer e proteger aqueles que irão se alimentar.

O uso do petynguá (cachimbo sagrado), para benzer os alimentos, é recorrente durante os rituais Guarani. Eles utilizam o milho para o Nimongarai, ritual de batismo, momento em que são revelados e distribuídos os nomes em língua Guarani às crianças da aldeia e que simbolizam suas verdadeiras almas. Os pais levam a criança à casa de rezas junto com elementos como o ombojapé, um tipo de alimento preparado com farinha de milho guarani e água, assado nas cinzas de uma fogueira.

Os povos Guarani Mbya também contam e ensinam histórias sobre os diversos tipos de milho, pois existe uma grande variedade de espécies do grão cultivadas entre os povos Guarani, de diversas colorações.

Zezé Weiss

Jornalista Socioambiental

 

Fontes: http://historiaeculturaguarani.org/os-guardioes-do-milho/https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/mais-saude/noticia/milho-guarani-volta-a-ser-cultivado-e-vira-alimento-para-corpo-e-alma-de-criancas-indigenas.g https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Guarani_Mbya 

Fotos: ISA/PIB Socioambiental

ANOTE:  Este site é mantido com a venda de nossas camisetas. É também com a venda de camisetas que apoiamos a luta de movimentos sociais Brasil afora. Ao comprar uma delas, você fortalece um veículo de comunicação independente, você investe na Resistência. Visite nossa Loja Solidária: https://www.xapuri.info/loja-solidaria. Em Brasília, encomendas com Janaina: 61 9 9611 6826.

Camiseta Krenak: https://www.xapuri.info/produto/camiseta-krenak/

“No dia em que não houver lugar no mundo para o índio, não haverá lugar para ninguém.” – Ailton Krenak. Arte: Wellington Martins.

Leave a Reply

Your email address will not be published.