Curupira, ou Currupira, ou Caipora (do Maranhão até o Espírito Santo), é um ente fantástico, forte e ágil de cabelos ruivos, que habita o imaginário das matas brasileiras

Por Zezé Weiss

De cabelos vermelhos, calcanhares virados pra frente e pés virados pra trás, diz-se que o curupira (do tupi curu, curumin – menino, e pira – corpo) às vezes é chamado de moleque, outras vezes de anão com corpo de menino que se dedica a proteger os animais e as plantas das florestas.

Diz-se também que o Curupira é muito, muito ardiloso, que mora na mata e vive fazendo travessuras, e que se vinga dos caçadores e dos destruidores de florestas fazendo com que percam o rumo e esqueçam os caminhos de onde vieram, com ruídos, cantigas e pegadas no sentido contrário.

Mas, segundo os povos da floresta, é difícil o Curupira maltratar alguém, porque ele vive no coração da mata e só ataca quem destrói a casa dele, que é a própria natureza. E quando fica amigo, ele gosta muito de fumar e beber pinga, então é bom deixar alguma oferenda pra ele no caminho.

Também, como o Curupira é muito curioso, dizem que um jeito escapar das suas manhas é fazer um novelo com cipó e esconder bem a ponta. Dizem que enquanto ele fica entretido com o novelo e a pessoa consegue fugir.

Os índios, os seringueiros, os ribeirinhos e outros povos extrativistas da floresta também o chamam de caboclinho, e o respeitam como um grande guardião da floresta. Os caçadores, os madeireiros e todos os que destroem as matas brasileiras o consideram como um “demônio da floresta” por conta da mania do Curupira de fazê-los esquecer o caminho de volta pra casa, deixando-os perdidos no meio da floresta.

De qualquer forma, pra garantir uma vida em paz com o Curupira, as comunidades ribeirinhas, de seringueiros e outros povos extrativistas, principalmente da Amazônia, costumam deixar fumo e cachaça “de presente” pra ele nos caminhos por onde passam. Assim, ao agradá-lo, às vezes ouvem a advertência de seus gritos longos e estridentes, mas evitam o contato, que pode resultar em pancadas e perda de consciência para quem incomoda o Curupira.


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2 Responses

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    Magda Curado Martins

    Parabenizo, a nossa Xapuri, por nos deliciar com as lendas da floresta! Ao mesmo tempo, adoraria que, a lenda se tornasse real, e vários curupiras lutassem pela proteção do nosso maior tesouro. Se eles não existem, vamos nós Xapuri!!!

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      Lúcia Resende

      Magda, a Xapuri se alegra com seu comentário! Sim, vamos nós, curupiras…Feliz Natal!

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