Dona Maria da Soledade Nascimento Silva criou os oito filhos (só um morreu, aos 25 anos, de acidente) e os 14 netos trabalhando na roça de toco, produzindo farinha. Em ano bom, dona Soledade e o marido plantam duas linhas de mandioca, o que em tese renderia 60 sacas. Em tese, porque a farinha que alimenta a família toda vai sendo processada aos poucos, durante o ano, conforme a necessidade, então sobra pouco para vender.

Com o açude, que vai render peixe pra melhorar a dieta das famílias e peixe pra vender, pra gerar um pouco de renda para a comunidade, dona Soledade espera ter condições de trazer os dois filhos, que tiveram que ir pra São Paulo em busca de trabalho, de volta. “Eles não se ajustam por lá e nós não nos ajustamos sem eles por aqui, fazem muita falta”, diz dona Soledade.

Como líder comunitária, coube a ela assumir a linha de frente na mobilização da sociedade para preparo do açude. “O tanque, a máquina contratada pelo Movimento Solidário cavou, mas a limpeza do tanque quem fez foi a comunidade, mulheres e homens juntos. Não teve uma mulher que não arrancou graveto, na unha”.

Dona Soledade estudou pouco, escreve com dificuldade, mas sabe compor músicas para ocasiões especiais, como a que ela e a irmã Maria fizeram para a inauguração do açude, treinada e cantada por toda a comunidade para recepcionar a delegação do Movimento Solidário. Como ela faz isso sem saber ler? “Ah, isso é fácil, a gente segue os hinos da igreja, depois só precisa fazer rimar”, explica.

Por que homenagear as visitas com rima? “Porque com o peixe vai ser melhor, vamos tirar pra comer, vamos tirar pra vender, vai melhorar as coisas pra nós, eu estou muito feliz e, quando a gente está feliz, a gente canta. Canta e agradece a quem trouxe pra gente a graça de ser feliz. Muito obrigada, Denise, muito obrigada, seu Jair, muito obrigada todo mundo do Movimento Solidário”.

 

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