Por: Clodomir Santos de Morais

Dona Rosa Magalhães não morreu, porque a vida eterna, a imortalidade é dos que defendem os pobres. É inadequado dizer-se que ela descansou, já que Dona Rosa Magalhães nunca manifestou cansaço.

O trabalho para ela era a felicidade, tanto é assim que, nos seus últimos momentos, continuava no posto de professora, dando lições de amor ao próximo, lições de humanitarismo; pedindo que se construísse uma clínica simples, modesta – enfatizava – lá para aquelas famílias que tinham filhos na escola do carente Bairro da Macambira.

De modo que, a frase latina do “requiescat in pace!” (que descanse em paz!) não se lhe aplica em absoluto. Primeiro, porque ela não estava cansada e, segundo, porque nunca foi no descanso que Dona Rosa buscava a paz e sim no trabalho, na labuta em favor dos pobres, pois assim é que se obtém a paz de espírito, a paz da consciência do dever cumprido; a paz dos que lutam e por isso mesmo não temem a morte.

Cruzam com esta e nem tomam conhecimento; como se a morte não existisse. Ignoram-na. Tanto é assim que a agonia de vários dias Dona Rosa passou-a conversando na mais completa lucidez, fazendo sinceras e profundas declarações de amor aos seus alunos e ex-alunos que atenderam ao seu último chamamento, à sua derradeira chamada; pedindo-lhes abraços e distribuindo beijos à face daqueles que mais trataram de honrar a figura impoluta da Mestra.

Lindo! Era como se quisesse dar suas últimas aulas sobre a forma correta, a verdadeira forma de morrer dos justos, daqueles que se entregam às causas dos despossuídos, sem esperar recompensa.

Dona Rosa Magalhães foi uma Dolores Ibarruri cabocla, uma “Pasionaria”, pois aquela morreu na idade desta e, como esta, foi, até em seus últimos momentos, uma combatente, uma lutadora inflexível em favor dos humildes, dos mais pobres.

Que os seus alunos sejam iguais a ela, incansáveis na lida contra a ignorância, defendendo concretamente o direito dos pobres à escola, à cultura. Que tratem de imitá-la, se acaso aspiram à vida eterna, ou seja, à condição de imortal da saudosa Profa. Rosa Magalhães – a mais abnegada educadora de toda a Bacia do São Francisco – a Rosa Imperecível.

Clodomir Santos de Morais – Antropólogo Cultural (in memoriam) – Assentamento “União da Vitória”, Município de Fraiburgo, Santa Catarina, 7 de novembro de 1990.

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