E eu me fiz mulher

Por João de Deus 

E eu me fiz mulher

De cabelo longo ou curto e lindo

Olhos, nariz, boca e rosto de mulher.

Com curvas, dobras e suaves depressões

Sou cavada  por dentro,  uma oficina de seres humanos.

Tenho sangue

Que irriga o meu corpo

E transmite a vida

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A todos os seres vivos do mundo.

Comigo, nasceram as ideias, os sonhos, a pulsão,

O instinto, o princípio do prazer.

Tão suave criação

A martelada de sopros

E perfurações de amor,

As mil e uma coisas que me fazem mulher todos os dias,

Pelas quais me levanto orgulhosa todas as manhãs,

E bendigo o meu sexo não para me sobrepor, mas para me completar.

Tornei-me mulher para me igualar,

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Somar à força do homem

Que foi formado

Com os mesmos elementos

E ao som da mesma música

Que preenche de amor o universo.

Ser mulher é ser humilde,

Saber escutar, dialogar, esperançar,

Lutar sempre pela igualdade de direitos

Sem qualquer preconceito

E sonhar com a mesma utopia que nos faz caminhar…

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Prefiro a esperança que nos convida a lutar.

Mulheres e homens, equilibrar.

O machismo combater e, com certeza, eliminar.

Mulher, um ser divino e especial,

Engajada nas mil e uma lutas de transformação

Do tecido social destruído pelo vírus do egoísmo e da misogenia.

Viva a mulher que festeja e celebra

Em estado de poesia dizendo um não

À sua vida anterior de sombrias migalhas

No pulular da cigania.

João de deus de Souza é filósofo e psicólogo


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