Gaya

Dentre o caos, serpenteia além-tempo:

havia ali tanto, quando, na escuridão,

que deu a si mesma um clarão insano,

de varrer espaços, criar estrelas,

de amar planetas: cobrir-se deles, todos.

E com eles, seja-os: Gaya. A mãe amada.

A terra e a Terra em maternal contração

que suspendeu então à luz tudo mais:

desde a si mesma até o outro e o outro – e o outro mais.

Pode haver entre um e outro abismo

beirando o caos, como cais.

Mas, sobretudo, dentre ali reina o grão.

O grão que se cria. A vida: Gaya.

Mãe-Terra, tudo seu: desde Ísis a Bachue.

E todas as demais nuvens navegantes,

o fogo delirante, as lágrimas dos mares,

a calma e a força dos rios;

o telúrico o fez, o transforma,

o transborda, possibilita espaço, abraço.

Maternal, amoroso, de Gaya.

Tudo é seu, e somos todos dela.

É a mãe maior, a mãe que soma.

Que se fez da sombra, dando luz à luz;

quando nem mesmo a luz se conhecia,

ou via o tempo passar.

O tempo… girou em milhões

de luas

até chegar – a tempestade

do oitavo dia

recomeçar!

Reinaldo Bueno Filho

 

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