Por Ailton Krenak

No Equador, na Colômbia, em algumas dessas regiões dos Andes, você encontra lugares onde as montanhas formam casais.

Tem mãe, pai, filho, tem uma família de montanhas que troca afetos, faz trocas. E as pessoas que vivem nesses vales fazem festas para essas montanhas, dão comida, dão presentes, ganham presentes das montanhas.

Por que essas narrativas não nos entusiasmam? Por que elas vão sendo esquecidas e apagadas em favor de uma narrativa globalizante, superficial, que quer contar a mesma narrativa para a gente?

Os Massai, no Quênia, tiveram um conflito com a administração colonial porque os ingleses queriam que a montanha deles virasse um parque. Eles se revoltaram contra a ideia banal, comum em muitos lugares do mundo, de transformar um sítio sagrado num parque.

Eu acho que começa como parque e termina como parking. Porque tem que estacionar este tanto de carro que fazem por aí afora. É um abuso do que chamam de razão.

Ailton Krenak – Escritor, em “Ideias para adiar o fim do mundo”,  Companhia das Letras, 2019.

 

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