REDE CERRADO: 27 ANOS DE ARTICULAÇÃO DE POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS

Por Thays Puzzi

Constituída na década de 1990 durante a ECO-92 por um conjunto de entidades que, naquele momento, viram na articulação em rede uma estratégia de luta e resistência, a Rede Cerrado, ao longo de mais de 25 anos de história, tornou-se referência na área socioambiental e no apoio à construção de políticas públicas que visam conservar o Cerrado e garantir direitos aos povos e às comunidades tradicionais que habitam o Bioma.

Nos últimos dois anos (2018-2019), em especial, a Rede Cerrado, por meio do apoio do Fundo de Parcerias para Ecossistemas Críticos (CEPF, da sigla em inglês para Critical Ecosystem Partnership Fund) e do DGM/Brasil, conseguiu multiplicar ações de fortalecimento e integração entre as mais de 50 organizações associadas.

A Rede Cerrado atuou junto a essas organizações para apoiar, por exemplo, o Ministério Público Federal na construção de plataforma de Territórios Tradicionais, realizou uma série de encontros e seminários sobre territórios com representantes de povos e comunidades tradicionais, realizou a nona edição do Encontro e Feira dos Povos do Cerrado e está em fase final de apoio na construção de um aplicativo, desenvolvido pelo IPAM, para mapeamento de Territórios Tradicionais.

“Foram muitas ações realizadas com o apoio do CEPF e das entidades associadas”, destacou Rodrigo Noleto, coordenador do programa Amazônia, do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). Para ele, é importante manter a Rede Cerrado viva, pois muitas vezes ela é a voz de socorro, de apoio e de articulação de povos e comunidades tradicionais. “Espero que a Rede Cerrado possa sair fortalecida e mantenha as condições de articulação tão necessárias para esse período em que vivemos”, observou.

O sentimento é compartilhado pelo geraizeiro Samuel Caetano, do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas Gerais (CAA-NM). Para ele, a Rede Cerrado é uma parceira estratégica para as organizações que prezam pelo desenvolvimento sustentável e por uma relação mais harmoniosa com o meio ambiente. “A Rede Cerrado se consolidou como um espaço político para essas organizações, pois proporciona a unificação das lutas com um debate mais qualificado e estratégico. É onde nós, povos e comunidades tradicionais do Cerrado, trocamos experiências, pensamos e formulamos políticas públicas que defendam o Cerrado e seus povos”, ressaltou.

Já para Maria do Socorro Teixeira Lima, quebradeira de coco babaçu e coordenadora-geral da Rede Cerrado, os últimos dois anos foram essenciais para o fortalecimento da instituição. Para ela, agora, é preciso ampliar o trabalho junto às comunidades de base. “Por isso a continuidade da Rede Cerrado é tão importante. Nós a resgatamos, a reestruturamos. Deixo esse recado para os nossos parceiros”.

Rose Mary Araújo, da Mulheres em Ação do Pantanal (Mupan), considera essencial o apoio dado à Rede Cerrado. “Não existem paisagens sem pessoas, e a Rede Cerrado precisa muito desse apoio, principalmente agora que estamos restabelecidos. No campo político, não existe outra organização como a Rede Cerrado”, destacou.

César Victor do Espírito Santo, da Fundação Pró-Natureza (Funatura), disse que o CEPF veio suprir uma lacuna no Cerrado, já que este, historicamente, é um Bioma que recebe poucos recursos para projetos de conservação. “O fortalecimento da Rede Cerrado é muito importante para fazer com que as pautas do Cerrado sejam levadas adiante. Não somente dos povos e comunidades tradicionais, mas também as relacionadas à conservação da biodiversidade”, completou.

O objetivo principal do projeto apoiado pelo CEPF foi fortalecer institucionalmente a Rede Cerrado, além de ampliar sua incidência. A principal ação foi a realização do IX Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, que reuniu na capital federal, Brasília, mais de 500 representantes de povos e comunidades tradicionais de todo o Cerrado e cerca de sete mil pessoas da sociedade em geral.

Além de trocarem experiências entre si e debaterem estratégias para a manutenção do Cerrado em pé, eles puderam expor produtos da sociobiodiversidade e mostrar um pouco da diversidade cultural e gastronômica para cerca de sete mil pessoas que prestigiaram o evento.

Outro projeto que permitiu a ampliação das ações da Rede Cerrado foi o Programa DGM/FIP (Dedicated Grant Mechanism for Indigenous People and Local Communities – Fundo de Investimento Florestal), do Banco Mundial.

Para Kátia Favilla, secretária-executiva da Rede Cerrado, esses últimos dois anos foram essenciais para reforçar os processos de articulação e animação da Rede Cerrado.

“Para os próximos anos, o maior desafio será a atuação em conjunto das organizações em um cenário com poucos recursos financeiros e desmonte de políticas públicas ambientais e de garantia de direitos dos povos e comunidades tradicionais. Somente com a união das entidades e o fortalecimento das comunidades em suas localidades, além de um forte trabalho de base, poderemos garantir a existência do Cerrado e dos seus povos”, afirmou Favilla.

Para saber mais, acesse: www.redecerrado.org.br.

Thays Puzzi – Assessoria de Comunicação da Rede Cerrado

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