Reciclando gorduras

Lúcia Resende

 

O descarte do óleo de cozinha usado e das gorduras em geral gera graves problemas ambientais e mesmo econômicos. Geralmente as pessoas jogam esses resíduos na pia da cozinha (ou no vaso sanitário) ou simplesmente atiram em terrenos baldios. Outras, mais zelosas, fecham em recipientes e colocam no lixo orgânico. De toda forma, os danos são enormes, pois as gorduras são poluentes potenciais das águas, do solo e até da atmosfera.

Em nossas casas, quando jogadas diretamente nas tubulações de esgoto, elas causam entupimentos e atraem animais como ratos, baratas, escorpiões e outros insetos que ameaçam a saúde humana, seja por transmitirem doenças (leptospirose, hantavirose, giardíase etc.), seja por serem peçonhentos, como é o caso do escorpião.

Fora do nosso universo doméstico, as gorduras causam danos à rede de esgoto, gerando obstruções e vazamentos, contaminando mananciais e encarecendo os processos de tratamento nas Estações de Tratamento de Esgoto (ETE).

Para se ter uma ideia da gravidade do problema, um só litro de óleo doméstico pode contaminar um milhão de litros de água, quantidade consumida, em média, por um ser humano ao longo de 14 anos. Nos mananciais, as gorduras causam a diminuição do oxigênio dissolvido na água, por causa da atividade de micro-organismos que as degradam e, ao mesmo tempo, consomem muito oxigênio – isso provoca a morte da fauna aquática.

Jogados no lixo comum, esses resíduos provavelmente vão parar em aterros sanitários, lixões ou terrenos baldios. Nos aterros, eles se infiltram no solo e contaminam os lençóis freáticos; nos lixões e terrenos baldios, além do mau cheiro e da possibilidade de atrair ratos, cobras e outros animais que trazem riscos ao ser humano, podem causar uma maior liberação de gases de efeito estufa, como o metano, o que significa contribuir ainda mais para o aquecimento global.

 

O QUE FAZER?

 

Mas então, o que fazer? Reciclar é a saída. Para isso, é preciso cuidar dos restos de gorduras, acumulando-os em vasilhas bem fechadas, para, depois, dar destinação adequada.

Uma das possibilidades é levar ao posto de reciclagem mais próximo, que encaminhará esses resíduos a locais especializados, para que sejam transformados em ração animal, sabão, detergente, cosméticos, tintas, biodiesel, massa de vidraceiro, entre outros produtos. Outra, vender (ou doar) para fabricantes de sabão, sejam empresas ou pessoas mesmo, é fácil encontrá-las.

Mas a melhor saída é reciclar em casa mesmo, cada qual cuidando do seu resíduo, e isso é muito mais fácil do que se possa imaginar. Com as gorduras acumuladas, num processo cuidadoso de descarte consciente, é possível fabricar sabão. Assim, além de contribuir para mitigar danos ambientais, pode-se ter um excelente produto de limpeza, com custo reduzido.

Trazemos aqui uma receita de sabão de álcool aprendida na casa da tia Debraíla Vilas Boas, com a prima Elza, lá no Triângulo Mineiro, e que se tornou prática em nossa casa há décadas.

 

Ingredientes

4 litros de sebo bovino (ou outra gordura animal)

2 litros de óleo de cozinha usado

1 kg de soda de boa qualidade

3 litros de água

5 litros de álcool etílico (combustível)

 

Obs.: Para executar a receita, você precisa usar máscara e manusear os produtos em área aberta. Além disso, tenha em mãos uma bacia grande e um pedaço de ripa de madeira para mexer o sabão.

 

Modo de fazer

Cuidadosamente, coloque a soda em um balde com 3 litros de água. Com a ripa, mexa e deixe dissolver. Em uma panela grande, coloque o sebo e o óleo (coe, se tiver resíduos de fritura). Leve ao fogo só até o sebo estar completamente derretido (não precisa ferver). Feito isso, desligue o fogo! Despeje a gordura na bacia, acrescente a soda, mexendo devagar e sempre. Imediatamente, coloque o álcool (aos poucos, mas continuamente) mexendo de um lado a outro, sem parar. Em alguns minutos, o líquido inicialmente opaco adquire uma aparência vitrificada, exala um cheiro forte de álcool e faz espuma. Está no ponto! Pare de mexer e despeje em vasilhas de plástico (ou pode deixar na bacia mesmo). Deixe esfriar e corte em pedaços. O sabão é lindo e de excelente qualidade!

 

Lúcia Resende

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