(foto arquivo pessoal e wikipedia)

“Infelizmente, a sensação hoje é de insegurança total, pela ausência do Estado para poder cumprir a pretensão punitiva. Durante o Natal, junto com ela, todo mundo percebeu que ela estava preocupada e, agora, sabemos que ela tinha feito três Boletins de Ocorrência por ameaça de morte”, relatou Tuian, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.

Há 18 anos vivendo em Nova Viçosa, onde lutava para criar uma associação de proteção da Ilha de Barra Velha – área de reserva ambiental extrativista –, além de denunciar a exploração na região, ela integrava o Conselho da Reserva Extrativista de Cassurubá. “O terreno onde ela morava, um tempo depois de sua mudança, tornou-se um local reservado para o trabalho extrativista. Então, ela lutava para defender essa reserva e outras do entorno, para impedir o avanço da plantação do eucalipto”, explicou Tuian.

Segundo o filho, a mãe foi encontrada morta dentro de sua casa, com pés e mãos atados e feridos, pano em volta do pescoço e perfurações por arma branca e de fogo na cabeça. “Eu olhei o corpo de forma informal para saber as lesões. Foi uma cena de tortura. Ela foi esfaqueada, amarrada, com sinais de luta, além de um tiro pelas costas”, contou.

Ainda de acordo com Tuian, a repercussão da morte de Rosane criou um clima de pavor na cidade. “Todo mundo ficou assustado. Minha mãe é alegre, tinha boa convivência com as pessoas, apesar de ser dura nas lutas. Ela sempre foi amistosa e tratava as pessoas com proximidade”, disse.

Rose junta-se às dezenas de ativistas ambientais assassinados a cada ano no Brasil. O país liderou, em 2016 e 2017, ranking de assassinatos de ativistas ambientais, segundo a ONG britânica Global Witness, que relatou 57 execuções em 2017. (Da RBA)