Por Bernardo Mendes 

Vi que você tá radicalizando nas palavras depois dos tiros que o seu irmão levou. Logo você, que dá entrevista quase todos os dias se dizendo acima da polarização, criticando fortemente o PT e os petistas por fazerem parte do outro extremo que dividiu o país.

Tá doendo, né? A gente sabe. A gente sabe também que você não teria ido a Paris hoje e deixado seu irmão pra trás como fez no passado. Pois foi exatamente esse o sentimento de todos quando você virou as costas pros problemas dos menos favorecidos e se achou digno demais pra participar dessa guerra suja.

Eu também lembro quando você chamou Bolsonaro de ‘ilustre colega’ no debate. Ilustre colega! Taí uma certeza que todos temos: essas não seriam suas palavras hoje. Esses tiros que o seu irmão levou, saiba, as pessoas negras e pobres desse país levam todos os dias. Foram elas que você esqueceu enquanto esteve aí, com as mãos limpas.

Quando eu for assistir a seus vídeos, posso apostar que não verei mais aquele tom lacrador e aquele personagem preocupado em parecer ‘more presidential’, pra usar as suas palavras, personagem esse que você sustentou até ontem. Seu tom está em outro patamar agora, eu posso perceber. Você quer guerra também.

Lembra quando seu irmão disse que o Lula estava preso e que nós éramos todos babacas? A gente quase já esqueceu aquilo, ainda que tenha sido uma bela surfada na onda antipetista, no que você faz de melhor, esse fisiologismo ’em nome de um bem maior’, mas que tem muito de querer parecer mais sensato do que o resto das pessoas normais. Pois foram discursos como esse que ajudaram a nos colocar onde estamos agora. Pelo menos uma das balas que atingiram o seu irmão foi disparada naquele dia, em cima daquele palco.

Mas eu não vou dizer que ‘seu irmão tá baleado, babaca’, porque eu sei o preço que a gente paga por bater de frente com os opressores. Foi o preço que o Lula precisou pagar, acho que agora você entende.

Eu sei que você vai pegar toda essa dor e toda essa raiva – e que nós, extremistas, estamos passando desde 2016 – e vai sair desse limbo em que você se meteu, dessa coisa de querer ser luz em meio à escuridão. Tá na hora de sujar as mãos, não é mesmo?

Seja bem-vindo.

Assinado, um babaca.

Bernardo Mendes –  Professor. Carta amplamente divulgada nas redes sociais.

 

 

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