Por Ailton Krenak

O Watu, esse rio que sustentou a nossa vida às margens do rio Doce, entre Minas Gerais e o Espírito Santo, numa extensão de seiscentos quilômetros, está todo coberto por lixo tóxico que desceu de uma barragem de contenção de resíduos, o que nos deixou órfãos e acompanhando um rio em coma. Faz quase cinco anos que esse crime* – que não pode ser chamado de acidente – atingiu nossas vidas de maneira radical, nos colocando na real condição de um mundo que acabou.

Ailton Krenak – Líder Indígena. Escritor, em “Ideias para adiar o fim do mundo”, Companhia das Letras, 2019.

*Nota da Editora: Alusão ao rompimento da barragem do Fundão, da mineradora Samarco, controlada pelas multinacionais Vale e BHP Billiton, em novembro de 2015. Foram lançados no meio ambiente cerca de 45 milhões de metros cúbicos de rejeitos da mineração de ferro, o que desencadeou efeitos a longo prazo na vida de milhares de pessoas, incluindo as aldeias Krenak.

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