Nunca será normal

Nunca será normal

Nunca será normal

Por Roberto Carvalho

Quando
Um irmão nosso
Sem motivo

É
Assassinado
Numa câmara de gás
Improvisada

Quando
Irmãos nossos têm
Suas casas invadidas
E são assassinados friamente
Pelo Estado que tem a obrigação
De proteger e zelar pela vida

Quando
Os pobres nas favelas
Deixam de ser cidadãos
Cancelados da sua cidadania
Do seu direito de existir

A
Civilização
Virou máquina
De extermínio

A
Barbárie
Virou lugar
Comum

Qualquer
Pessoa que não se indignar
Que não se levantar

Contra
Este estado de coisas
É porque já deixou sua humanidade
Virar hipocrisia
Virar morte

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Nunca
Será normal
O desrespeito
O assassinato
De homens mulheres
Negros empobrecidos
Esquecidos

Que
Gritos e gemidos de dor
Sejam sementes transformadoras
Para um mundo de respeito
Onde a vida não seja
Objeto preconceito
Inviabilizada
Descartada

“Quando maltratarem
A um dos pequeninos
É a mim que maltratam”

Que as mortes
Genivaldo e todos e todas
Pretos empobrecidos
E esquecidos
Nos faça resgatar
O que aind a existe
De humano
De Deus em nós

https://www.xapuri.info/formosa-historia-do-abreu-e-das-aguas/

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

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