O enigma Lula

O enigma Lula

Lula é um enigma político: quem não o decifra, é devorado por ele. A direita e a ultra esquerda subestimaram Lula e foram devoradas…

Por Emir Sader

A direita acreditava que Lula fracassaria rapidamente. Um ex-ministro da ditadura chegou a dizer que “um dia o PT teria que ganhar, governar, fracassar, e aí poderiam dirigir o país com calma”. Lula foi o maior sucesso como presidente, se consagrou e devorou a direita, derrotada sucessivamente em quatro eleições para presidente e em pânico de sê-lo uma vez mais, com a volta de Lula à presidência do Brasil.

A ultra esquerda achava que Lula seria “desmascarado” pelos trabalhadores, porque os estaria “traindo”. Foram igualmente devorados e fracassaram, ficando restritos a uma força intranscedente, enquanto o Lula tornou-se o maior líder do povo brasileiro.

O enigma de Lula tem que ser decifrado a partir da capacidade de construir um modelo antineoliberal e uma força política capaz de colocá-lo em prática, mesmo com uma brutal herança recebida dos governos neoliberais e num marco internacional dominado por esse modelo. Lula conseguiu construir uma força dominante, mesmo sem maioria de esquerda, mediante alianças com hegemonia da esquerda.

Foi assim que Lula colocou em prática o objetivo histórico do PT de prioridade das políticas sociais como forma de combate à desigualdade, definida como o principal problema da sociedade brasileira. Foi mediante políticas sociais que seu governo se afirmou, se consolidou, construiu maiorias políticas no pais e pôde se impor.

Foi mediante o resgate do Estado como indutor do crescimento econômico e garantia dos direitos sociais negados historicamente para as grandes maiorias da população que Lula recuperou a legitimidade do Estado, promoveu o período de maior estabilidade e legitimidade de um partido político no governo na história democrática do Brasil.

Foi promovendo uma política externa centrada na integração regional e nos intercâmbios Sul-Sul que Lula afirmou a soberania até ali abandonada do Brasil no mundo e projetou o nome do país e o seu próprio como estadista de alcance mundial, no combate à fome e pela solução pacífica dos conflitos no mundo.

A direita continua a não entender o significado de Lula para o país, para o povo brasileiro e para o mundo, quando crê que mediante acusações infundadas e sobre temas ridiculamente sem importância consegue destruir a imagem de um líder como ele. Ao fazê-lo, reafirma a transcendência de Lula, seu temor da liderança dele, são formas disfarçadas de reverência a seu potencial de condutor do país a uma solução positiva e democrática da crise atual.

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A grandeza da trajetória e da liderança de Lula contrastam com as baixezas e os personagens sórdidos que tentam protagonizar a impossível destruição da imagem do Lula no povo, porque ela não é produto de uma campanha de marketing, de mídia, que termina com a rapidez de uma bolha de sabão. Esse é o desespero da direita: não conseguir apagar o Lula da consciência dos milhões e milhões de pessoas que tiveram seu destino mudado radicalmente para melhor com o governo de Lula e têm sua vida intrinsecamente vinculada à de Lula. Creem que pesquisas manipuladas apagam da consciência e da vida das pessoas um líder como Lula que, por sua vida e por sua atuação como líder político, estão na memória e na alma das pessoas para sempre.

Uma vez mais a direita será devorada pelo enigma Lula, pelo mito Lula, pelo Lula brasileiro da Silva, que representa o Brasil mais do que qualquer outros dos mais de 200 milhões de brasileiros, porque elevou as pessoas e o país à dignidade e ao respeito que sempre lhes tinham sido negados. 

O povo soube decifrar o enigma Lula e Lula conhece os interesses e a sensibilidade do povo brasileiro. Por isso desperta tanto temor nos de cima e tanta esperança nos de baixo, que são a grande maioria do Brasil.

.https://www.xapuri.info/caminhoneiros-aprofundam-o-enigma-para-onde-vai-a-direita/

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

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