Paulo Paulino Guajajara: Um espírito se foi pela bala da ambição

Paulo Paulino Guajajara

Por Márcia Kambeba

Tombou mais uma árvore.
Um espírito se foi
Pela bala da ambição.

Foi na dor da covardia
Uma tocaia descoberta
Cacique Paulo Guajajara
Era um guardião da floresta.
Caiu feito angelim e mogno
De vermelho urucum o solo manchou
Deitado no colo da mãe terra
Seu espírito levantou.
E no meio da clareira
Mãe natureza em pranto gritou:
Acolham mais um guerreiro
Que o agronegócio matou.

Até quando ainda veremos
O progresso destruir nosso ser?
O facão do capitalismo
Fere alma e o coração
Traz a mão suja de sangue
Do verde da mata,
Um filho que maltrata
Pela ganância, grana, poder.
Sangra o povo da floresta “Índio” tua morte é uma festa
Tua terra quero ter.

É na bala ou na faca
Faça dia ou faça noite,
Atocaiado, espancado,
Sua luta não terminou!
Amazônia ancestral
Será protegida com sangue na dor.

Data da publicação original: 02/11/2019 

Fonte: Mídia Ninja

 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

 

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2 comentários em “Paulo Paulino Guajajara: Um espírito se foi pela bala da ambição”

  1. Pedro Motta de Barros

    Se possível, gostaria de receber sua newsletter com regularidade para compartilhá-la com seguidores do tuitter.

  2. Pedro Motta de Barros

    Parabéns pelo engajamento responsável e combativo em defesa dos povos originários e da integridade dos biomas mais ricos do planeta.

Comentários encerrados.

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