A NELSON PEREIRA DOS SANTOS – HOMENAGEM DO 50 FESTIVAL DE CINEMA DE BRASÍLIA

Nelson Pereira dos Santos

Cineasta e professor

É bacharel em Direito

Roteirista e produtor

Escultor da Sétima Arte

Do Cinema Novo precursor

 

Ano 1928

Em São Paulo ele nasceu

Na Faculdade de Direito

Na USP ele aprendeu

Ser advogado não dava

O cinema empreendeu

 

Paulo Autran, Madalena Nicol

Na carreira inicial

Atuação no teatro

No cine primordial

Os Artistas Amadores

Foi seu grupo teatral

 

Jornal do Brasil, Diário Carioca

Jornalista em ação

No Diário da Noite

Atuou na revisão

Em Paris com Joris Ivens

Fez sua iniciação

 

Com o filme Juventude

No cinema principia

Filma os trabalhadores

O criador se anuncia

Em frente com a jornada

Renovador prenuncia

Rio 40 graus

Primeiro longa-metragem

O neorrealismo italiano

Presente em sua imagem

Trouxe calor ao cinema

Com uma nova mensagem

 

Vidas Secas, obra-prima

Do grande Graciliano

Deu a Nelson o alicerce

O cinema em alto plano

Foi premiado em Cannes

Com destaque soberano

 

O filme Fome de Amor

Metafórico-experimental

Em Azyllo muito louco

Com Machado essencial

O Alienista no cinema

Com a loucura tropical

 

Fez Cinema de Lágrimas

Cine a experimentar

Com Godard e Scorsese

Soube bem documentar

British Film Institute

Nelson a nos representar

 

Casa Grande e Senzala

Série em documentário

Retratou Gilberto Freyre

Fez o seu abecedário

Obra de envergadura

Nosso Brasil no cenário

Balança Mas Não Cai

Assistente de direção

Filme de Paulo Vanderlei

Nelson em boa formação

O Saci; Agulha no Palheiro

Nanni e Viany em ação

 

Filme Rio, 40 Graus

Obra de elaboração

Do compositor Zé Keti

Fez a apresentação

Sucesso com A Voz do Morro

Um esplendor de canção

 

Em Rio, Zona Norte

O samba é retratado

O plágio em evidência

O criador é renegado

Espírito da Luz em cena

Grande Otelo iluminado

 

Nelson sempre atuante

Trabalha em produção

Produz O Grande Momento

Obra de repercussão

Do mestre Roberto Santos

Criador de elevação

 

Mandacaru Vermelho, Boca de Ouro

Vidas Secas é monumento

Reconhecido em Cannes

Por sua arte e talento

Conquistou o Prêmio Ocic

Nelson fez bom movimento

 

El Justicero na tela

O filme Fome de Amor

Na Federal Fluminense

Lecionou com fervor

Criou o curso de cinema

Atuou como professor

 

Faz Azyllo Muito Louco

Em “O Alienista” baseado

Obra-prima de um ás

O instigante Machado

O Bruxo do Cosme Velho

Nosso escritor consagrado

 

Como Era Gostoso o Meu Francês

Resistência cultural

Em tempos de ditadura

Fez ironia visual

A visão antropofágica

Do cinema canibal

 

Nelson pesquisa o Brasil

Nossa cultura popular

O Amuleto de Ogum

Nosso povo a retratar

Via Tenda dos Milagres

Estrada da Vida a cantar

 

Nelson, Memórias do Cárcere

Dissecou Graciliano

Relato autobiográfico

Do escritor, grande arcano

Terror, desprezo, prisões

De um sistema tão tirano

 

A Literatura Brasileira

Em Nelson é recorrente

Freyre, Lins, Graciliano

O real da nossa gente

As raízes do Brasil

O povo sobrevivente

 

Amado, Buarque, Rachel

O Brasil Interpretado

Toda a geração de 30

A verve de Caio Prado

Impulso a Glauber Rocha

O cinema novo revelado

 

Academia Brasileira de Letras

Seu nome é reconhecido

Cadeira 7, Castro Alves

Que foi poeta atrevido

O Poeta dos Escravos

Em Nelson tem refletido

 

Nelson Pereira dos Santos

Atuou e fez montagem

Fez produção e roteiro

Um artesão da imagem

Deu aulas e navegou

Além da terceira margem

 

Nelson desvela a miséria

Expõe as contradições

Narra e dramatiza

Socializa as questões

Vai do morro ao asfalto

Do cerrado aos sertões…

Gustavo Dourado
Poeta. Escritor.Presidente da Academia Taguatinense de Letras.

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