Quem é Kamala Harris, a mulher com o maior poder político no mundo atual?

Por Iêda Vilas-Bôas

Ela é Kamala Devi Harris, nascida Oakland, Califórnia, a 20 de outubro de 1964. Autêntica libriana, demora a se decidir, mas depois que o prato da balança pende, não volta atrás. É sociável e muito comunicativa, e salta aos nossos olhos que Kamala é extremamente dedicada ao que se propõe a fazer.

Advogada e política do Partido Democrata, primeira pessoa não branca e primeira mulher a ocupar a Vice-Presidência dos Estados Unidos, Kamala foi também a primeira procuradora-geral (2011–2017) e a primeira senadora (2017– 2021) de seu Estado, a Califórnia. É casada com o advogado Douglas Emhoff, também da Califórnia, desde agosto de 2014.

Filha de mãe indiana, da etnia Tâmis, e de pai jamaicano afrodescendente, ela teve o privilégio de ter pais dedicados ao estudo, à pesquisa e à ciência, e sempre envolvidos em manifestações políticas. Sua mãe, Shyamala Gopalan Harris era uma proeminente pesquisadora do câncer de mama que emigrou de Chennai, Índia, em 1960.

Os pais se divorciaram quando ela tinha sete anos, e sua mãe recebeu a custódia das crianças. Após o divórcio, Shyamala mudou-se com as filhas para Montreal, Quebec, no Canadá, onde conseguiu um cargo no setor de pesquisa do Hospital Geral Judeu e lecionou na Universidade McGill.

A pequena Kamala cresceu lendo bons livros, cantando no coro da igreja Batista e treinando oratória nas brincadeiras infantis, que liderava. A força do matriarcado Harris ressoa em sua descendência: a filha de sua irmã Maya, Meena Harris, também é advogada, dirige a Phenomenal, uma plataforma de ativismo social feminista, e escreveu um best-seller infantil, o livro Kamala and Maya: Big Idea, uma história que homenageia as irmãs Harris e sua capacidade de transformar comunidades.

Seu nome, Kamala, pronuncia-se “Kô-ma-la” e significa “flor de lótus”. Seu sobrenome, Harris, fala-se “RÉ-ris”. Ela e sua única irmã, Maya Lakshmi, receberam nomes de princesas Indu. Maya tem carreira triunfal como advogada e ativista de direitos humanos.

Kamala Harris graduou-se com um bacharelado em artes pela Universidade Howard e em direito pela Faculdade de Direito Hastings da Universidade da Califórnia. A carreira política foi meteórica, construída com muita diplomacia e inúmeras vitórias.

Photo by Demetrius Freeman/The Washington Post via Getty Images

Como procuradora, Harris iniciou um programa que oferecia aos traficantes de drogas detidos uma única vez a oportunidade de concluir o ensino médio e conseguir um emprego. O programa graduou cerca de trezentas pessoas, com os participantes alcançando uma taxa de reincidência muito baixa.

Em 2009, escreveu o livro Smart on Crime: A Career Prosecutor’s Plan to Make Us Safer, que pode ser traduzido por Esperto no crime: a carreira de um executor tem como plano nos salvar. Nele, abordou a justiça criminal desde uma perspectiva econômica, discutindo uma série de mitos” em torno do sistema da justiça criminal, e apresentou propostas para reduzir e prevenir o crime. Foi reconhecida pelo The Los Angeles Daily Journal como uma das cem melhores advogadas da Califórnia, integrou o conselho da Associação de Procuradores Distritais da Califórnia e foi vice-presidente da Associação Nacional de Procuradores Distritais.

Defensora da necessidade de inovação na segurança pública, um dos programas que desenvolveu, o “Back on Track”, que podemos traduzir por: “De volta aos trilhos”, foi sancionado pelo então governador republicano Arnold Schwarzenegger como um programa modelo para o Estado.

Sob a atuação de Kamala, várias causas de minorias tiveram progressos na aquisição de Direitos, e a procuradora endureceu com crimes de ódio, crimes de ódio contra crianças e adolescentes LGBT nas escolas, crimes de violência contra gays e transexuais. Declarou apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Como procuradora, também fechou muitos casos por meio de delações premiadas, contribuindo para resolver a lista de casos de assassinatos acumulados em pilhas de papéis e burocracia.

É lógico que Kamala sofreu muitas retaliações e críticas ao seu trabalho. Afinal, o patriarcado não é de permitir tanto talento para uma mulher mestiça e filha de imigrantes estigmatizados. Sua vida profissional foi marcada por conquistas e, de outra parte, tentativas de reduzir seu poder.

Enfrentou muitos desafios em suas gestões, por exemplo, no caso Espinoza, policial morto em serviço. Na época, Kamala não buscou a pena de morte para o assassino, mas negociou a prisão perpétua, atitude que não agradou os policiais militares colegas do falecido.

Em sua atuação de vanguarda, Harris defendeu na Legislatura Estadual a aprovação do projeto de lei denominado Declaração de Direitos do Proprietário, em abril de 2012. Apresentou a Declaração de Direitos do Proprietário na Legislatura do Estado da Califórnia, um pacote de vários projetos de lei que daria aos proprietários mais “opções ao lutar para manter sua casa”.

Um dia após a posse de Trump como presidente, ela classificou a mensagem do discurso de posse do novo presidente como “sombria”, ao falar durante a Marcha das Mulheres em Washington. E, a partir de então, canalizou forças para o empoderamento feminino em várias áreas. Também se colocou na luta contra a deportação de imigrantes e chamou parte dessa ação governamental de “banimento a muçulmanos”. Em meados de 2018, foi uma das senadoras a pedirem ao governo Trump para interromper a política de separação de famílias.

Harris se opôs às tentativas dos republicanos de alterar o sistema de saúde, alegando que a revogação do Affordable Care Act prejudicaria a população pobre.

Kamala, fiel a suas convicções pessoais e políticas, se opôs ao projeto de lei Tax Cuts and Jobs Act, aprovado pelo Congresso e sancionado por Trump, pedindo a revogação dos cortes de impostos concedidos para os mais ricos. E, em maio de 2018, anunciou que iria copatrocinar o Marijuana Justice Act, que eliminaria o status da maconha como uma droga da Classe I, para colocá-la sob a Lei de Substâncias Controladas.

Já no final de seu mandato de senadora, após a retirada dos Estados Unidos do Plano de Ação Conjunto Global, assinou uma carta na qual argumentava que Trump não tinha autoridade legal para lançar um ataque preventivo contra a Coreia do Norte e que a decisão “colocaria em risco nossa segurança nacional e nos isola de nossos aliados mais próximos”.

Em janeiro de 2019, formalizou sua candidatura à presidência, porém, em nome da derrubada da extrema direita no país, recuou, sendo depois escolhida por Joe Biden como sua companheira de chapa. Em novembro, ambos derrotaram Trump e Mike Pence, sendo empossados em 21 de janeiro último.

A sua superação constante de desafios e estereótipos de gênero mostra a sua habilidade e também a necessidade de possuir determinação, resiliência e um poderoso senso de identidade para alcançar e para ter sucesso neste importante papel de liderança feminina no poder instituído.

Kamala Harris nos aponta que Dias Mulheres virão!

Iêda Vilas-Bôas – Escritora


 

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