Piche no Nordeste altera rotina dos filhotes de tartarugas marinhas

Piche no Nordeste altera rotina dos filhotes de tartarugas marinhas

Desde o início de setembro, o litoral nordestino vem sendo ocupado por manchas de petróleo, vindas sabe-se lá de onde. Mas é fato que todo o ecossistema da região vem sendo afetado pela poluição, incluindo a fauna marinha. Um dos primeiros animais a aparecerem com o corpo tomado pelo piche foi uma tartaruga-de-pente.

Nas últimas semanas, o Projeto Tamar/Fundação Pró-Tamar está monitorando intensamente as praias de Sergipe e do litoral norte da Bahia, áreas consideradas prioritárias para a reprodução e conservação de três das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no litoral brasileiro: a tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea), a tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), e a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata).

Estas áreas são monitoradas pelo Projeto Tamar há 40 anos para garantir a proteção das fêmeas, dos ninhos e dos filhotes.

Conforme metodologia estabelecida em nível nacional, as equipes de campo mantêm as desovas nos locais de origem (in situ), ou seja, nos locais escolhidos pelas tartarugas fêmeas. Manter os ninhos nos locais de origem garante o desenvolvimento dos filhotes sem interferência humana, em condições naturais de incubação.

Em áreas de maior risco (devido à urbanização ou suscetíveis à erosão pelo regime de marés), os ninhos são transferidos no dia da postura para outros locais da praia ou transferidos para o cercado de incubação presente nas instalações da fundação. As transferências são realizadas pela equipe de pesquisadores do Projeto Tamar, capacitados para fazer a coleta e o transporte dos ovos até o local mais adequado para sua permanência.

Esses ninhos, assim como os que permanecem in situ, são monitorados até o nascimento dos filhotes. Essa medida já faz parte das atividades de conservação do Projeto Tamar/Fundação Pró Tamar, e o protocolo padrão de avaliação e transferência de ninhos segue em andamento, agora considerando a presença de óleo nas diferentes praias.

O encalhe de óleo nas praias tem se alterado todos os dias, em razão de sua dispersão, influenciada pelas condições de vento e das correntes marinhas. Em função do acidente, as equipes aumentaram significativamente o esforço de monitoramento para garantir que os filhotes eclodidos provenientes de ninhos in situ não fiquem presos nas manchas de óleo.

Nas áreas mais afetadas, membros da nossa equipe estão retendo os filhotes no momento do nascimento e, com base em uma avaliação diária da situação das praias, fornecida pelos órgãos responsáveis, eles são levados a áreas de menor risco, para serem soltos no mar. Essas e outras medidas aplicadas pela fundação ocorrem sob orientação do ICMBio.

Fonte: www.tamar.org.br.

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

 

 

 

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