Abutres, sorriam. É dessa forma sarcástica e também tristonha que o poeta nos chama à reflexão. Metaforicamente compara o ser humano e o ser detentor de poderes ao mais feroz e faminto bicho que habita naqueles que prejudicam o povo, que maltratam o povo, que destilam fake news. Ao povo comum, aos sofridos, o poeta deixa o sentimento.

Por Atila de Almeida Ribeiro

Abutres,
Sorriam!
Vocês, cujos dentes são ferrões.
Dancem sobre os corpos cujas mortes serão suas eternas companhias.
O dia nasceu em sintonia com essa ignomínia que tu escondes.
Dobrou o sino de bronze da maldade que ornamenta tua alma.
Vai, ave de rapina, vai réptil abjeto e rastejante!
Há menos um a incomodar sua vida insignificante.
Sobre o mármore, reina a tua ojeriza.
E cada lágrima que escorre e que comove, não haverá de arrancar nada de ti, pois não há nada mesmo aí dentro.
A dor do outro é teu alimento. A desgraça alheia, teu sustento.
Deixa pra nós a angústia, a tristeza, o amor.
Deixa pra nós o privilégio do sentimento.

Átila De Almeida Ribeiro é advogado em Volta Redonda – RJ , escritor e filósofo. O autor é parceiro da ALANEG – Academia de Letras e Artes do Nordeste Goiano/RIDE e colaborador da Xapuri Socioambiental.

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