Dies Irae

‘Cântico do Homem’

Apetece cantar, mas ninguém canta.
Apetece chorar, mas ninguém chora.
Um fantasma levanta
A mão do medo sobre a nossa hora.Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje.

Apetece morrer, mas ninguém morre.
Apetece matar, mas ninguém mata.
Um fantasma percorre
Os motins onde a alma se arrebata.

Oh! maldição do tempo em que vivemos,
Sepultura de grades cinzeladas,
Que deixam ver a vida que não temos
E as angústias paradas!

Miguel Torga, in ‘Cântico do Homem’

Fonte: Citador

Salve! Este site é mantido com a venda de nossos produtos. É também com a venda deles que apoiamos a luta do Comitê Chico Mendes, no Acre, e a do povo indígena Krenak, em Minas Gerais. Ao comprar nosso e-book Réquiem para o Cerrado, ou assinar nossa revista Xapuri, você fortalece um veículo de comunicação independente, você investe na Resistência.  Importante: Nossa Loja Solidária está em manutenção e volta em breve, com lindas camisetas e mais novidades. Até lá, precisando de algo, por favor fale conosco via WhatsApp: 61 9 99611193.

Comentários

%d blogueiros gostam disto: