O poeta batista filho, transcende o tempo e espaço e, poeticamente, dialoga com EUCLIDES DA CUNHA pelo reforço da resistência nesse tempo boçal
dói em mim perceber
que
ao comprido do Tempo
o bicho-homem
– iletrado ou doutor –
sempre arranjou jeito
de abdicar do livre-arbítrio
e não só seguir
como também
se transformar em manada
donde
submisso a um homem-bicho
segue resoluto
pronto a matar e a morrer por
“alguém que lhe traduzisse a idealização indefinida,
e a guiasse nas trilhas misteriosas para os céus”*.
enquanto diferentes berrantes
ajuntam manadas similares
nos quatros cantos do mundo
a Terra vai girando
e seguindo seu caminho
mesmo sendo mutilada
pelo bicho-homem
“que no decorrer da história assumiu o papel de terrível fazedor de desertos”*
tanto no seu entorno
quanto dentro de si mesmo.
há de se tirar água doce
do salobro de nossas almas
para que
a borboleta
e a flor
continuem
a voar e a florir
nas manhãs renovadas.
(encantado, 20/10/2020, madrugada alta.)
.
* Euclides da Cunha, Os Sertões.
Fonte: Facebook

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