Por Adelar Pizzeta

Há um movimento
perfilando
em cada canto,
fustigando a voz
que foi abafada.

Há um movimento
se refazendo
debaixo do caldeirão,
aquecendo o dia que
será festejado
do amanhecer até o anoitecer.

Há um movimento
das consciências
negras
se encontrando no mesmo terreiro,
no mesmo barraco
e tomando banho no mesmo rio.

Há um movimento
removendo o medo
que foi instalado
na inocência de nosso corpo
e resgatando a coragem que venceu a Cruz.

Há um movimento
vasculhando memórias,
culturas,
tecendo na incerteza do amanhã
a certeza da vitória.

Há um movimento
rebelde
se fazendo sonho
na vida do povo
que está atravessando
o deserto.

Há um movimento
volvendo a terra,
enfrentando conflitos,
recusando as palavras
que são apenas palavras.

Há um movimento
na boca da noite,
no meio do picadão,
forjando o tempo novo
entre o fogo e a cinza.

Há um movimento
na barriga de nossa
querida AMERÍNDIA,
anunciando
o dia que vem depois.

Fonte: Vermelho

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