As mãos de minha mãe tecendo(…) É o que basta: uma oferenda à porta aberta.

Rejane Araújo

As mãos de minha mãe tecendo,

debruçadas sobre o ponto cruz.

As linhas coloridas formando diagramas, evocando ancestrais.

As antepassadas, sem cerimônias, deitam-se na cama antiga que foi da minha avó.

A colcha de retalhos cinge os corpos etéreos e começa o conversê.

Agora mesmo – o segredo mais bem guardado – é repartido como pão recém-tirado do forno.

O cheiro espalha-se na memória. Deleite!

Apuro os meus ouvidos e olho pela fresta de mansinho.

Vejo mulheres vistosas, faces queimadas de sol.

Portam sombrinhas e vestidos de chita com florzinhas miúdas.

As alpercatas protegem os pés da seiva agreste que rebenta do solo esturricado.

Meus olhos contemplam a beleza da raiz, força que emana.

A terra se encharca com as risadas escancaradas das avós.

Depois, tudo é silêncio.

Minha mãe estende o paninho bordado e coloca-o sobre o aparador.

É o que basta: uma oferenda à porta aberta.

O perfume de alfazema enche o ambiente e, com ele, a promessa de guia nas agruras da vida!

Arquivo Pessoal

 Quem é Rejane Araujo? Professora do Governo do Distrito Federal que assim se define:
Hoje fiz um parto às avessas pari uma mulher muito velha que se aninhou dentro de mim…
Estudou na instituição de ensino Faculdade de Artes Dulcina de Moraes
Estudou na instituição de ensino UnB
Frequentou Centrão
Mora em Brasília Fonte: Facebook
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