Nossa prosa hoje começa com formas de lidar com o  estresse que a comunicação via zap traz pras nossas vidas. Mas o que é que isso tem a ver com câncer?

Os dias por aqui andam muito lindos e cheios de boas-novas pra eu querer falar de câncer. Chegou essa semana o resultado das 4 biópsias que fiz no mês de agosto: não foram encontrados sinais de malignidade no linfonodo da minha axila esquerda. Dessa vez, o bichinho deu de ser inofensivo.

Depois de ano e meio na pauleira do tratamento com químio dupla, com direito a todos os efeitos colaterais possíveis, além de uma mastectomia bilateral radical  e desses expansores que me atazanam a vida, pelo menos por uns dias ando querendo dar um tempo no meu papo reto sobre o câncer.

Mas como decidi escrever às sextas-feiras sobre este assunto para, no que eu puder, ajudar outras pessoas a lutar contra essa doença traiçoeira, falo hoje de umas das razões do câncer, o estresse.  Sim, porque a  gente sabe que uma parte dos cânceres é genética, mas uma outra boa parte é comportamental: vem da dieta, do sedentarismo, e do estresse.

Agora bem mais serena, tenho andado bastante pelo jardim daqui de casa para celebrar a vida.  Caminho atenta, mas com o celular na mão. Essa mania, não dei de perder, ainda. Posso sempre fazer umas boas fotos, é a desculpa que me dou.  Mas a verdade é outra.

A verdade é que ando viciada em zap.  Me relaxa, me acelera, me deixa conectada com o mundo.  Em geral gosto muito do que recebo. Mas tem horas que  que fico estressada só de pensar no tanto de coisa que vou ter que apagar  sem ler. Tem dias que já amanheço com tanta mensagem, que me estressa só de ter que decidir por onde começar… Na manhã de hoje, optei pelo grupo da família.

Nele, uma sobrinha querida postou um link  da coluna  Dica e Estilo do portal Terra  (www.terra.com.br) , com “13 coisas que você nunca deve fazer em grupos de WhatsApp“.  São dicas preciosas pra não abusar dos grupos e, assim, evitar estresse em sua própria vida.

Essas dicas me ajudaram muito a compreender a razão da minha angústia com o zap. A partir delas,  acabei criando as minhas próprias reflexões, que compartilho aqui com você.

  1. Bom dia … Tem gente que manda bom dia com anjo, depois com flor, depois com cachorro, estrela, papagaio … Comigo não precisa toda essa gentileza porque essas figuras comem a minha bateria e aí o meu dia já começa péssimo. Mas se mesmo assim insistir em mandar, por favor, não precisa encher a caixa do grupo (nem a minha pessoal) com a coleção inteira!
  2. Nem todo mundo é coruja da madrugada… Essa dica me pegou de cheio. Como de noite durmo pouco, acabo mandando zap pra adiantar o expediente do dia seguinte. Que feiúra, essa minha! Daqui pra frente, do lado de cá acabaram as mensagens da madrugada, a menos que seja pra alguém que dorme nos mesmos horários que eu.
  3. Roupa suja se lava em casa … Mensagens, longas ou curtas, sobre assuntos totalmente alheios ao  interesse do grupo – barraco de família , brigas de rua,  infidelidades conjugais… é cada coisa!  Se a gente pensasse um segundo antes de bater o dedo no teclado, muita fofoca seria evitada e muito tom seria baixado antes da não concordada sessão de terapia coletiva…
  4. Nhanderu, tende piedade de todos os santos… Essa eu vou copiar do jeitinho que está na dica de estilo do Terra: “Se você é daqueles que mandam uma palavra por mensagem, saiba que a culpa de “silenciar o grupo” é toda sua”. Pior: tentar convencer as pessoas das crenças da gente com mensagens religiosas é ó do borogodó.  Isso vale pra mensagens de padre, pastor, pajé, e até do santo Papa. Cada qual com sua fé, mas no particular, por favor!
  5. Cobrar resposta, esse é outro ó do borogodó… Procuro responder  100% das mensagens da minha caixa. Nos grupos, nem sempre. Tem coisas que não tem nada a ver comigo. Mas aí vem a figura que faz questão de cobrar resposta: “Eu vi que você leu, não respondeu por que?” Porque não quis, ora bolas!
  6. Letras maiúsculas, nem pensar: Essa é outra gafe que a gente faz  mesmo sem perceber. ESCREVER EM LETRA MAIÚSCULA não só é deselegante, é cansativo pra quem lê, então melhor evitar, não é mesmo?
  7. Fotos …  Claro que amo receber fotos lindas, desde que poucas de cada vez. Mas tem umas que não precisavam chegar, não mesmo! Dispenso os selfies de “nudes“, as fotos de hospital, e as de acidentes, próprios ou dos outros. Isso sem falar em retrato de gente morta. Postar, pra que?

Essas sete são as razões do meu estresse no zap.  Daqui pra frente,  vou pensar 13 vezes antes de mandar outra mensagem nos meus grupos de zap… Sorte sua, se estiver nas minhas listas. Sorte minha, se essas dicas te servirem para gerar menos estresse e mais felicidade entre as pessoas que te leem. Menos estresse, mais qualidade de vida, menos chance de câncer.

Aquele abraço!

 

 

About The Author

Zezé Weiss

Jornalista
Socioambiental

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