Quem…?

Quem…?

O poeta batista filho faz indagações interessantes e desafiantes. Você será capaz de respondê-las?

quem
criou a pedra
que afia a navalha
que corta minh’alma
e meus versos entalha?

quem
acende o sol
dia após dia
pinta arco-íris
na grama orvalhada
dissipa o breu da noite
com uma luz prateada?

quem
acendeu
e apagou
o fio da vida
de uma doce menina
que na sua breve existência
tornou o meu mundo melhor
e a vida mais linda?

quem
me fez esquecer
o seu rosto
se ainda acordo
chamando o seu nome
e mesmo acordado
parece que sonho
com a gente brincando
de “boca de forno”
crianças de novo
na rua Humberto de Campos?

João Batista de Oliveira Filho, nascido em 1958, quinto filho da prole de sete de Seu Bá e Dadinha, é natural de Parnaíba-PI. Em 1977 mudou para Brasília. Há seis anos reside no sítio Encantado, no município de Alexânia-GO.
O poeta “batista filho” convive com cães e gatos, cria galinhas e patos enquanto apascenta sonhos em forma de poesia, lá no se “Encantado”,  Batista Filho é colaborador da Xapuri Socioambiental via ALANEG – Academia de Letras e Artes do Nordeste Goiano/RIDE,

 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

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