Redes sociais: Um perigo emocional –

Ao longo dos últimos anos, diversos estudos têm vinculado o uso das  redes sociais a maiores níveis de depressão, ansiedade e isolamento.

Um estudo publicado recentemente da BMC Public Health analisou o comportamento de crianças de 10 anos que usavam redes sociais com frequência. Segundo os autores, o uso das redes sociais “pode acarretar um impacto negativo no bem-estar das crianças quando forem adolescentes e talvez até como adultos”.

Resultados de uma pesquisa da Universidade de Pittsburg revelaram que as redes sociais aumentam a incidência de ansiedade e depressão entre usuários. Pessoas que checavam suas redes sociais durante várias vezes ao dia tiveram um risco duas vezes maior de ficarem deprimidos do que pessoas que não davam tanta importância ao universo virtual.

Em parte, isso pode ser devido ao fato de que usuários são bombardeados com mensagens e notificações, gerando uma demanda constante de agir ou responder e contribuindo para um aumento sutil, porém significante, de estresse contínuo.

Segundo o mesmo estudo, essas plataformas, se usadas com moderação, podem ser ótimas ferramentas para aumentar a conectividade entre as pessoas. Entretanto, na maior parte das vezes, o uso exagerado delas contribui para o oposto: sensações de solidão e isolamento.

Isso não deveria nos surpreender, porque grande parte das conexões realizadas são superficiais e não contribuem para a saúde mental dos indivíduos. Em vez de receber um feedback honesto ou um elogio sincero sobre determinado comportamento ou conquista, a pessoa recebe, na maioria das vezes, uma mensagem diluída, geralmente apenas um emoji.

Os pesquisadores alertam que as redes sociais não conduzem a ações sociais capazes de melhorar o bem-estar mental, aumentar níveis de dopamina no cérebro e produzir sensações de acolhimento, prazer, e de pertencimento à sociedade.

Não estão presentes nas relações virtuais elementos como contato visual, linguagem corporal, nuances do tom de voz e contato físico. Em consequência, com o excesso de imersão em redes virtuais de relacionamento, esquecemos muitas vezes a interação verdadeira, a vivência e a convivência como seres humanos, que se configura pelo compartilhamento de emoções.

Eduardo Pereira
Sociólogo

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