A memória ancestral é nossa maior riqueza 
 
Muito se fala hoje em defesa do meio ambiente, na sustentabilidade de tudo que existe no planeta, mas os resultados ficam muito aquém do esperado. Defesa do meio ambiente e sustentabilidade para quem? Esse é o grande desafio!
 
 
Lamentavelmente o sistema socioeconômico que envolve o planeta Terra está comprometido com o enriquecimento de poucos tendo como mão de obra barata a maioria da humanidade. Essa análise já tornou-se recorrente em todas as discussões básicas de conscientização política sobre respeito ao outro, os direitos humanos, a equidade entre gêneros, raças e etnias, a distribuição de renda e o sistema de produção.  E mais… sobre as próximas gerações.
 
Muitos hão de dizer: façamos a nossa parte então! Qual é o nosso compromisso como ser vivente e político para promover para promover estados de mudança diante da vida em que vivemos?
 
Nós, mulheres indígenas, já viemos trabalhando no processo de valorização da família – que é a base ética para a defesa do meio ambiente e a preservação do planeta, nossa Mãe-Terra, nossa Pachamama – pois essa é a nossa vivência cotidiana, lá onde a memória é o nosso maior triunfo. Sem a memória de nossas histórias e ancestralidade não teríamos essa prática de respeito à natureza. Mesmo com todas as violações dos direitos mais íntimos como mulheres!
 
O planeta Terra e a Terra onde pisamos e onde enterramos os mortos é a nossa casa espiritual e ancestral. Nossos ancestrais vêm ao longo dos séculos nos fortalecendo através do respeito e de invocações para que possamos tornar-nos uma guardiã, um guardião dessa beleza terrena.
A Terra para nós é sagrada. Nela encontramos nossos seres encantados, nossos cânticos, nossa cultura diferenciada. A Terra é um organismo vivo que fala conosco através das chuvas, dos trovões e da luz do Sol, que faz crescer a vegetação, ilumina o dia, dá o néctar da vida não só para nós, mas para todos os seres vivos terrestres, marítimos e fluviais
 
A Lua é nossa Avó, o Sol é o nosso Avô. Nossos corpos são sagrados e de nossos úteros brotam vidas. Viva em harmonia então.
 
Do Facebook de ELIANE POTIGUARA
Ilustração: Karla Ruas
 
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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

 
 
 
 
 
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