Rodrigo Pilha livre e liberto. Finalmente!

Passava pouco das 21 horas. O movimento era intenso no Coletivo Botando Pilha, grupo criado no whatsapp para lutar pela liberdade de Rodrigo Pilha. Discutia-se com preocupação a greve de fome iniciada por Pilha na noite do dia 09, às 18h30.  Discutia-se os próximos passos da luta: cards, vídeos, super-live… 

Às 21h20, um twitter do Érico Grassi trouxe as boas-novas: havia saído o Alvará de Soltura. Meia hora depois, alguém postou: “Tá solto!” . Emoção geral!  Depois de três meses preso por chamar o inominável de genocida, nesta noite de sábado Pilha finalmente voltou pra casa. Com o sentimento de “alívio”, todo mundo tem a mesma certeza: Valeu a pressão!

A matéria que se segue, publicada pelo Brasil 247, faz um resumo dos últimos acontecimentos: 

Do 247Depois de uma intensa campanha, finalmente Rodrigo Pilha será libertado. Saiu o alvará de soltura do militante do PT de Brasília na noite deste sábado (10) e a família e os advogados cuidavam dos trâmites burocráticos para sua efetiva soltura até a manhã deste domingo. 
Na terça-feira, Pilha recebeu autorização da Justiça para progredir para o regime aberto e deveria ter sido libertado, mas a decisão não foi cumprida. Desde abril, o ativista estava em regime semiaberto, no qual podia trabalhar, mas tinha que voltar à prisão na parte da noite.
Preso há mais de três meses após protestar contra o genocídio comandado por Jair Bolsonaro, Pilha iniciou, sexta-feira, uma greve de fome em protesto contra o não cumprimento da decisão de judicial que garantia sua libertação.
Detido, Pilha chegou a ser espancado e torturado no Centro de Detenção Provisória II, área conhecida como Covidão, em Brasília. Ele recebeu chutes, pontapés e murros enquanto ficava no chão sentado com as mãos na cabeça.

Brasília, 9 de julho de 2021 
Queridos familiares e amigos,
Após refletir bastante na última madrugada de cárcere, decidi que inicio a partir de hoje uma greve de fome sem data para acabar.
Tendo em vista que o Judiciário segue me proibindo de falar ,conceder entrevistas, e agora me mantém preso , mesmo eu tendo conquistado o direito ao regime aberto, optei por usar meu corpo e a resistência pacífica para protestar contra estes e diversos outros absurdos que seguem ocorrendo no sistema penitenciário do DF,por conta do autoritarismo policial e judicial. 
Bem mais que não desejar comer aquela lavagem que chamam de comida, entregue aos apenados, lá naquela espécie de campo de concentração contemporâneo chamado de “Galpão” , minha greve de fome tem o intuito de denunciar e chamar a atenção da sociedade para os maus-tratos, as péssimas condições de cumprimento de pena e toda a sorte de violações de direitos humanos que continuam a ocorrer dentro do sistema prisional do DF, sob a vista grossa de um Judiciário que muitas vezes lava as mãos, passa o pano e acaba sendo conivente com tais atrocidades.

As celas e alas seguem hiper lotadas, com pessoas dormindo por cima das outras, e até no chão sujo em meio a baratas e escorpiões.
O banheiro mais parece uma pocilga e os banhos de sol são de meia hora apenas.
Castigos excessivos e por razões banais, com o mero intuito de causar a regressão penal dos presos, acabam por institucionalizar a tortura psicológica por parte do estado no cotidiano dos presídios.
A diretoria penitenciária de operações especiais (DPOE) é acusada de espancamentos gratuitos , mutilações e até de ser responsável pela morte de presos após a prática do procedimento chamado de “extração” ou “guindar” apenados.
Por fim, sei dos riscos que corro, mas estou convicto de que minha greve de fome é o mais acertado a se fazer neste momento, para trazer luz ao terror existente nos presídios do DF, e , lhes garanto que as mazelas do sistema prisional são bem mais radicais e maléficas à vida das pessoas do que a atitude que hoje adoto como forma de protesto.
Ante ao exposto e já que não me deixam falar, peço que FALEM POR MIM e divulguem ao máximo esta carta-denúncia, afim de que o maior número de pessoas saibam da barbárie que hoje impera no sistema prisional do DF.
“… podem me prender, podem me bater, podem até me deixar sem comer, que eu não mudo de opinião…”
Com os versos de protesto do sambista idealizador da “Voz do morro”,  Zé Keti, me despeço agradecendo a todas e todos por todo apoio e carinho recebidos até aqui.
Um forte abraço e hasta la Victoria siempre!!!
Com carinho,
Rodrigo Pilha

Fonte: Brasil 247, com introdução de Zezé Weiss. Foto de Capta: Facebook de Letícia Espíndola. 

 

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