Há quase um ano do rompimento da barragem que devastou o Rio Doce e matou 18 pessoas, a Samarco continua a minimizar os danos da tragédia e diz que os rejeitos de minério de ferro não são tóxicos, nem causam risco para a saúde humana.

Em seu site, a operadora Samarco, empresa responsável pela barragem do Fundão, localizada no município de Mariana, Minas Gerais,  cujo rompimento, em 05 de novembro de 2015, resultou no maior desastre ambiental do Brasil, continua a afirmar  que o rejeito de minério de ferro “não é tóxico e não representa risco para saúde humana”.

A enxurrada de lama que devastou o distrito de Bento Rodrigues, avançou com seu rastro de destruição por toda bacia do Rio Doce, causando impactos ambientais incalculáveis, inclusive pela contaminação por minérios. Entretanto, mesmo com  um estudo da Marinha, que verificou na foz do Rio Doce a presença de metais tóxicos aos seres vivos em concentrações acima do permitido pela legislação brasileira, a Samarco continua negando a toxicidade dos rejeitos espalhados com o rompimento da barragem.

Em fevereiro deste ano, a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) divulgou os resultados de um estudo que analisou a água bruta ao longo de diversos pontos do Rio Doce em dezembro do ano passado. Segundo a entidade, em um ponto foi verificada a presença de Chumbo em uma concentração 300% mais alta do que o tolerável.

O chumbo, metal altamente tóxico até em concentrações mínimas,  é conhecido por provocar dano cerebral permanente em crianças. Uma matéria no site Mother Jones detalha os estudos que indicam que o metal possa ter sido o responsável por uma epidemia de violência nos Estados Unidos, impedindo o desenvolvimento de cerebral de crianças que acabaram se tornando adultos violentos.

Em artigo da Folha há registro de pessoas  que, depois de entrar em contato com a  lama da barragem, desenvolveram doenças como manchas no corpo e quadros de insuficiência respiratória.

Em seu site, a Samarco apresenta outras conclusões sobre a causalidade da concentração tóxica de rejeitos: “vale lembrar que os metais encontrados por meio do monitoramento sempre estiveram presentes no curso do Rio Doce. Com a passagem da pluma, eles se movimentaram e vieram à superfície. Por isso, alguns índices estão acima do limite estabelecido pela legislação.”

Segundo a Samarco, os responsáveis pelos estudos que chegaram  a essas conclusões é a SGS Geosol, empresa especializada em análises ambientais e geoquímicas do solo. A Xapuri entrou em contato com a empresa porém não teve resposta.

 

samarco1

 

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Eduardo Pereira

Produtor Cultural

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