Por Matari Kayabi

Antigamente, eu pensava que o sol era a luz do homem branco,

Quando escurecia, eu pensava que os brancos apagavam a luz.

A chuva, eu pensava que era gente que jogava água do céu para regar a terra.

A trovoada, eu pensava que era gente que batia tambor.

O vento, eu pensava que a terra corria.

A nuvem preta, eu pensava que era o fim do mundo.

As estrelas, eu pensava que eram filhotes da lua.

O sol, eu pensava que era o marido da lua.

E para mim as estrelas eram filhotes da lua e do sol.

A terra, eu pensava que tinha um ferro grande para se firmar.

Eu pensava que o céu foi feito como a casa.

Eu pensava que a grama e o mato era cabelos da terra.

Eu pensava que a nuvem era a fumaça.

Eu pensava que os animais é que plantavam as frutas do mato.

O mundo para mim era só o Brasil, e a cidade de Brasília.

Eu pensava que não existiam outros países e outras cidades.

Eu pensava que os brancos eram menos pessoas do que os índios.

Eu pensava que a vida não tinha fim.

Eu pensava que não existia doença.

Eu pensava que ninguém ficava velho.

Eu pensava que quando ficava velho, voltava a ser novo.

Eu pensava que todo branco e índio eram todos uma só nação.

Matari Kayabi – Liderança Indígena – em Geografia Indígena. MEC/SEF-ISA, 1994.

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