Por Ailton Krenak

O que está na base da história do nosso país, que continua a ser incapaz de acolher os seus habitantes originais – sempre recorrendo a práticas desumanas para promover mudanças em formas de vida que essas populações conseguiram manter por muito tempo, mesmo sob o ataque feroz das forças coloniais, que até hoje sobrevivem na mentalidade cotidiana de muitos brasileiros –, é a ideia de que os índios deveriam estar contribuindo para o sucesso de um projeto de exaustão da natureza.

O Watu, esse rio que sustentou a nossa vida às margens do rio Doce, entre Minas Gerais e Espírito Santo, numa extensão de 600 quilômetros, está todo coberto por um material tóxico que desceu de uma barragem de contenção de resíduos, o que nos deixou órfãos, acompanhando o rio em coma.

Desde 2015 que esse crime – que não pode ser chamado de acidente – atingiu as nossas vidas de maneira radical, nos colocando na real condição de um mundo que acabou.

Ailton Krenak – Líder Indígena. Pensador. Filósofo. Em “Ideias para adiar o fim do
mundo”. Companhia das Letras. 2019.

 

 

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