Estudos recentes demonstram que, embora os antidepressivos possam restaurar a capacidade de determinadas áreas do cérebro para contornar rotas neurais cujo funcionamento não está normal, para que o tratamento traga benefícios, é necessária uma mudança do paciente, que pode ser conseguida por meio da psicoterapia.

Para o neurocientista Eero Castrén, da Universidade de Helsinque, Finlândia, uma mudança no “hardware” do cérebro só trará benefícios se houver uma mudança no “software” – o comportamento do paciente – algo que não é suprido pelos antidepressivos, só podendo ser alcançada mediante a psicoterapia ou terapias de reabilitação.

Segundo Castrén, os antidepressivos reabrem uma janela da plasticidade cerebral, que permite a formação e a adaptação de conexões cerebrais através de atividades específicas e observações do próprio paciente, de forma semelhante a uma criança cujo cérebro se desenvolve em resposta a estímulos ambientais. Quando a plasticidade cerebral é reaberta, problemas causados por “falsas conexões” no cérebro, como fobias, ansiedade, depressão, podem ser tratados.

Pesquisas em modelos animais demonstram que os antidepressivos não são uma cura por si só. Em vez disso, seu papel é o de restaurar a plasticidade no cérebro adulto. A equipe do Dr. Castrén mostrou que os antidepressivos sozinhos não surtem efeitos para esses problemas. Quando os medicamentos e psicoterapia são combinados, por outro lado, obtêm-se resultados de longa duração.

“Simplesmente tomar antidepressivos não é o bastante. Nós precisamos também mostrar ao cérebro quais são as conexões desejadas”, diz o pesquisador. A necessidade de terapia e tratamento medicamentoso também pode explicar porque os antidepressivos às vezes não têm efeito. Se o ambiente e a situação do paciente permanecerem inalterados, a droga não tem capacidade para induzir mudanças no cérebro, e o paciente não se sente melhor.

Fonte: Fãs da Psicanálise

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