Por Clarice Lispector

Um dia desses aprendi um bocado de coisas estranhas sobre duas coisas muito corriqueiras – sobre alho e cebola… Não digo que lhe conto para que você tenha um bom assunto de conversa, na próxima reunião, porque há muita gente que tem alergia a uma ou outra palavra.

Vendo a conversa pelo preço que comprei. Fiquei sem saber se acreditasse ou não, e você provavelmente ficará assim, também. Por exemplo: disseram-me que a cebola, esfregada sobre a calva, faz nascer os cabelos… Pelo menos mal não faz, suponho.

Outra: que a rainha Isabel da Inglaterra comia, como refeição matinal, um pedaço de carne, cerveja e muitas cebolas – e daí vinha o seu extraordinário vigor.

E alho pra asma… No século XVIII um médico fez fortuna com uma fórmula de sua descoberta. Cozinhava um pouco de alho até que este perdesse a rigidez: juntava à água do cozimento uma quantidade igual de vinagre. E para dar ao composto um sabor de xarope, punha açúcar à vontade.

Então jogava nesse xarope os dentes de alho cozidos.  No dia em que o doente tomava dessa mistura, não tinha asma. Verdade? Mentira? Contaram-me como verdade.

Clarice Lispector (in memoriam) – Escritora, em “Correio Feminino”. Organização Aparecida Maria Nunes. Editora Rocco, 2006.

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