Sobre os povos originários

Sobre os povos originários e as lições da ancestralidade indígena

Por Braulio Calvoso da Silva

Opção de arquitetura para a exploração econômica do ETNOTURISMO, que é a redescoberta das técnicas de sobrevivência e o estímulo ao retorno no homem ao contato com o natural, como nos convida as emocionantes crônicas do Brasil colonial.

Meio Ambiente é um conjunto de fatores: Biótico + Abióticos + Cultura.

CULTURA é, dentre outras coisas, um registro da relação do homem com o ambiente.

Danças que imitam pássaros, danças para comemorar a colheita, lendas que fazem referência aos animais, com sentido de fábula (fundo moral), crônicas indígenas que foram escritas de modo a revelar a sua cosmologia e as técnicas de sobrevivência desses povos, como em Viagem e Captiveiro entre os selvagens do Brazil, escrito em 1554, e publicado em 1557, pelo alemão Hans Staden, e também a certidão de nascimento do Brasil, em Pero Vaz de Caminha, que ajudou a construir a imagem de um paraíso adâmico que teria de ser reconquistado pelos cristãos europeus, etc.

No caso das populações tradicionais, é um registro rico de interações entre o homem e a natureza, que nos fornece informações e inspiração para pensar o modelo de desenvolvimento que precisamos adotar, especialmente em um mundo onde a fragmentação de ecossistemas causou o colapso de muitos processos de interdependência biológica.

Há um grande conjunto de crônicas da época colonial, que se inicia no período quinhentista, e que revela uma espécie de RENASCIMENTO europeu, na redescoberta da enorme variedade de seres vivos no território brasileiro ainda quase virgem, que o faz voltar o seu olhar para a clássica representação da natureza como por exemplo a obra maestra naturalista de Albert Eckhout e também a fina percepção dos primeiros cronistas que deixaram a impressão de terem redescoberto o Éden perdido desde o princípio da civilização humana.

Tamanha relevância da descrição dos costumes e técnicas que revelam as singularidades da relação entre o homem e o meio natural, registradas no Brasil colonial como em nenhum outro local, torna o urgente a necessidade de se conhecer e compartilhar técnicas de adaptação e reprodução socioeconômica das mais variadas populações tradicionais que se instalaram aqui milênios antes dos europeus.

Assim como revisitamos as técnicas de gestão das águas dos romanos, egípcios, sumérios e outros ainda muito mais antigos, e da mesma forma, aprendemos com o pensamento grego, em uma filosofia que nasceu há mais de 400 anos antes de Cristo, está patente que a antiguidade das técnicas e saberes dos povos tradicionais, especialmente os indígenas, não estão ultrapassadas e nem de longe são obsoletas, sob o ponto de vista econômico, biológico, ecossistêmico e cultural, visto que a investigação cultural desses povos, é um retorno aos aspectos mais relevantes de sua relação com os elementos bióticos e abióticos, todos em uníssono, trabalhando para a construção de sociedades sustentáveis.

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Texto: Sobre os povos originários e as lições da ancestralidade indígena – Braulio Calvoso é pesquisador em história da ocupação humana do território brasileiro e aluno do CDS, UnB. Foto: Criança indígena Yawanawa,  por Raimundo Paccó, fotógrafo acreano.

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

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