Manejos corretos, menos agrotóxicos no campo e ampliação da certificação são alguns caminhos, segundo professor do ISAE — Escola de Negócios

Segundo relatório da FAO (Agência da ONU para agricultura a alimentação), o Agronegócio foi responsável por quase 70% do desmatamento na América Latina entre 2000 e 2010. Apesar do porcentual soar alarmante, muitos países contam hoje com políticas sérias de sustentabilidade no campo que poderão servir de exemplo, o que possibilita uma produção ampla com menor impacto.

“Até os anos 1970, o nível tecnológico era muito baixo e o aumento de produção era por área, e não por produtividade. Os setores não tinham muita preocupação com sustentabilidade, então, o que se via era crescimento desordenado, uso de agrotóxicos hoje proibidos.

Era uma indústria predatória, como muitas outras. Felizmente, depois da conferência mundial em Estocolmo, a regulamentação no Brasil foi ampla. Temos determinadas regras que não existem em outros países, como áreas de preservação permanente, por exemplo”, elucida o professor do Mestrado em Governança e Sustentabilidade do ISAE — Escola de Negócios, Cleverson Andreoli.

O professor salienta, ainda, que é impossível pensar em agricultura no Brasil sem levar em conta a sustentabilidade — a lei nº6,938/81, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, determina em um de seus artigos (o 4º) que é imprescindível a preservação do meio ambiente e do equilíbrio ecológico com o desenvolvimento econômico-social.  “Não é possível não conciliar agricultura com sustentabilidade. Ou é sustentável ou vai durar pouco”, frisa Andreoli. Isso porque um cultivo agressivo faz com que as terras percam a capacidade produtiva de forma mais rápida, gerando assim perdas financeiras grandes.

Para isso, Andreoli indica alguns caminhos como identificar a aptidão de cada solo, manejo correto da palhada (fundamental nas colheitas de milho e trigo), uso de sistemas mecânicos para conservação do solo e a aplicação de agrotóxicos: de acordo com o professor, além de adiar ao máximo a primeira aplicação para não acabar com a proteção natural da terra, é preciso diversificar as técnicas que evitam o uso de produtos químicos, como mecanismos físicos e biológicos, por exemplo. “Evite grandes monoculturas, faça uma diversidade maior, para manter a biodiversidade natural. O Brasil consome muitos agrotóxicos e é preciso que seja feito um trabalho de conscientização e treinamento para que agricultores conheçam técnicas alternativas, que são mais baratas que as convencionais”, ensina.

Apoio

Motor da economia, a agricultura no Brasil necessita de apoio, diz o professor.  Melhorar a infraestrutura como um todo, resolvendo problemas de infraestrutura, pedágio e portos, também gera ganhos para a sustentabilidade, pois há menos perdas de produtos.  Andreoli destaca também a importância da certificação da sustentabilidade, com selos que indicam se o produto foi feito de uma maneira ambientalmente correta. “Pode significar abertura de mercado para fazendas sustentáveis”, completa o especialista.

Matéria enviada pela P+G Comunicação, com edições.

 

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